- Nos Enhanced Games, realizados em Las Vegas, atletas usaram abertamente esteroides e outras substâncias para melhorar desempenho, com premiação em jogo.
- O evento vendia substâncias no site e contou com supervisão de profissionais de saúde, apresentando apenas um recorde mundial, não reconhecido como oficial.
- Na mesma semana, morreu Gabriel Ganley, influenciador fitness brasileiro de 22 anos, cuja morte foi atribuída a cardiomiopatia hipertrófica.
- A matéria aponta como essa prática se insere numa cultura de otimização corporal, com riscos graves e efeitos que podem ser irreversíveis.
- Estudos no Brasil indicam uso entre mulheres fisicamente ativas, motivado principalmente pela estética, com médicos entre as principais fontes de fornecimento.
Nos Enhanced Games, realizados recentemente em Las Vegas, atletas usaram substâncias restritas para melhorar desempenho, em evento que divulgou a ideia de uma Olimpíada de super-humanos. O formato permitia uso de anabolizantes e outras drogas.
O organizadores afirmaram que o objetivo era discutir transparência sobre uso de substâncias no esporte, com supervisão de profissionais da saúde. O evento ofereceu provas de natação, corrida e levantamento de peso, com premiações milionárias.
Um único recorde mundial foi registrado, mas não entrou para a história oficial. A proposta atraiu atenção midiática, gerando debates sobre cultura de otimização corporal e limites éticos no esporte.
A cultura da doping aberta
Os esteroides anabolizantes androgênicos são derivados da testosterona e visam ganho de massa muscular e desempenho. Suas indicações médicas são restritas, especialmente em homens com deficiência hormonal comprovada.
No Brasil, substâncias como testosterona, nandrolona, oxandrolona, estanozolol, trembolona e boldenona circulam com frequência, muitas vezes em ciclos que combinam múltiplos agentes. Efeitos adversos são bem documentados.
Estudos brasileiros indicam uso significativo entre mulheres ativas, com motivos que vão além da estética, incluindo desempenho e recuperação. Médicos aparecem como fontes de fornecimento em muitos casos.
Impactos e controvérsias
A morte de Gabriel Ganley, aos 22 anos, ocorreu na mesma semana dos Enhanced Games. O influenciador brasileiro defendia o uso de anabolizantes, segundo relatos de redes sociais. A causa foi cardiomiopatia hipertrófica.
Pesquisas nacionais mostram que, entre mulheres praticantes de musculação, prevalência de uso é alta e cresce entre quem pratica treinos intensos. Orientação médica é relatada por parte das usuárias, o que preocupa pela possibilidade de uso inadequado.
A disseminação de prescrição médica para testosterona entre mulheres é tema de debates entre profissionais. Relatos recentes de médicos e influenciadores apontam que o tema é complexo e envolve fatores biológicos, psicológicos e sociais.
Contexto e desdobramentos
Especialistas destacam que a linha entre extremos do fisiculturismo e o cotidiano de fitness ficou borrada. Estudos indicam que aspirações estéticas e de desempenho influenciam decisões de uso de substâncias.
A cultura de procedimentos estéticos repetidos também é citada como síntese de pressões sociais. A relação entre saúde, mídia e indústria contribui para normalizar práticas de alto risco.
No Brasil, novos casos de procedimentos invasivos e uso de substâncias para melhoria física continuam a surgir, com debates sobre ética médica, sigilo profissional e responsabilidade na prescrição.
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