- Em 2025, Yane Marques, nascida em Afogados de Ingazeira, tornou-se a vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, sendo a primeira mulher a ocupar esse alto cargo na instituição em cento e poucos anos de história.
- A atleta olímpica de pentatlo é medalhista de ouro em Jogos Pan Americanos e bronze em Londres 2012, e afirma que seu feito foi mérito, foco e atenção aos detalhes.
- No COB, ela defende maior participação feminina e tem apoiado ações como o Programa MIRA, além de fortalecer áreas de compliance e ouvidoria para combater violência de gênero.
- Yane diz que mudanças culturais, engajamento dos três poderes e das confederações são necessárias para ampliar o esporte olímpico no Brasil, com foco na renovação constante até Los Angeles 2028.
- Em casa, é mãe de Maya, 6 anos, e concilia a agenda de vice-presidente do COB com viagens e compromissos pelo país, com apoio do marido, Renato Xavier.
Yane Marques, 42, passou de criança sertaneja a líder histórica do esporte olímpico brasileiro. Em 2025, tornou-se a primeira vice-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), em um marco inédito na instituição com 112 anos de história. Sua chegada é apresentada como mérito e ousadia, não por favorecimento.
Nascida em Afogados de Ingazeira, no sertão de Pernambuco, Yane deixou a cidade ainda jovem e percorreu o caminho pelos estados até despontar no pentatlo moderno. Conquistou ouro em dois Pan-Americanos e bronze olímpico em Londres 2012, tornando-se a única mulher nascida na América a medalhar na modalidade.
Trajetória e liderança
Ela explica que o segredo do desempenho está nos mínimos detalhes, na disciplina e na preparação física. Longas temporadas no exterior, terapia e uma equipe técnica confiável foram determinantes para evitar grandes lesões e sustentar a alta performance ao longo de 20 anos de carreira.
Após a aposentadoria, Yane migrou para a gestão esportiva. Aceitou o desafio de assumir a Secretaria de Esportes do Recife, investindo em formação e políticas públicas. Em 2024, foi indicada como vice do COB na chapa de Marco Antônio La Porta, quebrando a barreira de gênero.
Desafios e agenda institucional
A executiva aponta a necessidade de fortalecer a representatividade feminina nas áreas técnicas e de gestão. Acompanha ações do COB que reforçam compliance, ouvidoria e programas de mentoria para treinadoras de alto rendimento, com foco na equidade de oportunidades.
Segundo ela, o COB atua para ampliar a base de participação e melhorar a circulação de talentos pela pirâmide esportiva, não apenas no alto rendimento. A ideia é manter portas abertas e incentivar novas gerações a ingressarem no esporte.
Visão para o ciclo olímpico
Yane defende que o avanço depende de mudanças culturais no Brasil, com envolvimento dos três poderes e da sociedade civil. Ainda que reconheça o desafio, ressalta que o talento existe sobretudo no interior, onde o acesso costuma ser mais limitado.
Ela reforça que o funil de descoberta é estreito, mas que o esporte traz benefícios de saúde coletiva e convivência. A meta é renovar constantemente, expandir a base de praticantes e sustentar a liderança feminina no esporte.
Vida pessoal e legado
Em casa, Yane tem Maya, filha de seis anos que já pratica ginástica e judô. A mãe admite que a maternidade de atleta ainda é um tema que envolve planejamento, mas conta com apoio do marido, Renato Xavier. A família acompanha a agenda cheia de viagens pelo país.
Apesar da intensa rotina, a vice-presidente do COB mantém o foco em inspirar outras mulheres. Ela busca consolidar uma cultura de meritocracia, onde resultados e competência caminhem lado a lado com oportunidades iguais para todas.
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