- A corredora Louany Nair relatou ter diarreia durante a Maratona do Rio, entre o km trinta e quatro e o final, ainda que tenha concluído a prova após o desconforto extremo.
- A publicação nas redes gerou identificação entre alguns corredores, mas também críticas e ofensas de pessoas que não participaram da prova.
- Médicos explicam que sintomas gastrointestinais são comuns em provas de longa duração, devido ao desgaste físico, calor, desidratação, alimentação e uso de gels, entre outros fatores.
- Recomenda-se treinar o intestino antes da prova, testar alimentação, hidratação e cafeína, e não experimentar novos itens no dia da corrida; agir diante de sinais como diarreia forte, tontura ou desidratação.
- O episódio também reacende o debate sobre o tabu de falar de saúde intestinal e a importância de buscar orientação médica quando necessário, visando combinar performance com segurança.
Durante a Maratona do Rio, realizada no último dia 6 de junho, uma corredora relatou passar por diarreia durante o percurso, o que reacendeu o debate sobre sintomas gastrointestinais em provas longas. O episódio envolveu a fotógrafa e videomaker Louany Nair, de Teresina, que tornou pública a experiência pelas redes sociais.
Louany treinou por quatro meses para a prova, com apoio de uma nutricionista, e chegou a acumular entre 80 e 90 quilômetros nos treinos. Mesmo seguindo a rotina de alimentação, horários e uso de géis, a urgência intestinal surgiu no percurso, principalmente a partir do km 34, quando não havia banheiro próximo. Ela concluiu a prova após o km 37, buscando terminar a competição.
O que acontece no corpo
Especialistas explicam que a maratona impõe estresse físico elevado, redirecionando o fluxo sanguíneo para músculos e órgãos vitais, o que reduz o fluxo no trato gastrointestinal. O resultado pode incluir desconforto, cólicas, diarreia ou perda de controle intestinal. Fatores como calor, desidratação, ansiedade e ingestão de carboidratos durante a prova amplificam o risco.
Preparação vs. imprevistos
A recomendação médica é testar tudo antes da prova — alimentação, gel, água e cafeína — para evitar surpresas no dia. O calor excessivo, a desidratação, alterações no sono, uso de anti-inflamatórios e mudanças alimentares também podem favorecer desconfortos gastrointestinais, mesmo com treino adequado.
Quando há necessidade de interromper
Os especialistas apontam que, se o episódio for intenso ou acompanhado de sinais como tontura, vômitos persistentes ou desidratação severa, a orientação é interromper a corrida, buscar atendimento e reidratar. Em casos leves, é possível reduzir o ritmo, caminhar e procurar um banheiro, com avaliação de continuidade.
Abordagem médica e educação
A coloproctologista Nina Pimenta e o clínico Luis Fernando Penna destacam que sintomas gastrointestinais são comuns em provas de resistência e não indicam falta de preparo. O tema ainda é cercado de tabu em alguns consultórios, o que pode atrasar a busca por orientação médica. A narrativa de Louany também traz o papel da comunicação aberta sobre saúde intestinal entre atletas.
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