- Mulheres têm entre três e oito vezes mais chance de romper o ligamento cruzado anterior (LCA) do que homens que praticam o mesmo esporte, conforme dados da PubMed Central.
- Casos recentes: atacante Dudinha rompeu o LCA no início de junho em amistoso contra os Estados Unidos; o Cruzeiro teve cerca de vinte por cento do elenco afastado por problemas relacionados ao LCA; a medalhista olímpica Carol Gattaz anunciou a aposentadoria das quadras após a recuperação.
- Fatores anatômicos ajudam a explicar a maior incidência: joelho em X, bacia mais larga e LCA com menor espessura, o que favorece o alinhamento conhecido como joelho valgo.
- Fatores hormonais e biomecânicos também influenciam: oscilações do ciclo menstrual podem aumentar a frouxidão ligamentar, e padrões de movimento femininos elevam o risco durante aterrissagens e mudanças de direção.
- A prevenção envolve treinamentos de condicionamento, fortalecimento, equilíbrio e propriocepção; pesquisas com inteligência artificial ajudam a identificar padrões de risco e orientar treinos preventivos.
A partir de dados da PubMed Central, mulheres têm entre 3 e 8 vezes mais chance de romper o ligamento cruzado anterior (LCA) do que homens que praticam o mesmo esporte. O foco é a lesão frequente em esportes de impacto e mudança rápida de direção.
No futebol feminino, a atacante Dudinha, da Seleção Brasileira, sofreu ruptura do LCA no início de junho durante amistoso contra os Estados Unidos. A notícia ressalta também que o Cruzeiro teve cerca de 20% do elenco afastado por lesões relacionadas ao LCA no mesmo período.
Casos em outras modalidades chamam atenção. Em março, a medalhista olímpica Carol Gattaz anunciou a aposentadoria das quadras após um processo de recuperação que não evoluiu como o esperado. A combinação de incidência elevada e recuperação longa preocupa clubes e atletas.
Fatores anatômicos e hormonais
Especialistas apontam que a maior incidência entre mulheres não se resume ao aumento da participação feminina no esporte. Aspectos anatômicos, como o joelho valgo e uma bacia ginecoide, elevam a carga no LCA e favorecem lesões.
A espessura geralmente menor do LCA em mulheres também contribui para a vulnerabilidade. O alinhamento do joelho para dentro, comum no sexo feminino, aumenta o risco durante movimentos rápidos e torções.
Além da anatomia, fatores hormonais são discutidos. Oscilações do ciclo menstrual podem, em certos períodos, deixar o ligamento mais frouxo, elevando a probabilidade de ruptura durante treinos e jogos.
Controle neuromuscular e prevenção
Estudos indicam padrões de aterrissagem diferentes entre mulheres e homens, com maior ativação do quadríceps e joelho para dentro em saltos e mudanças de direção. Esses fatores favorecem o mecanismo de lesão do LCA.
Programas específicos de prevenção ganham espaço, com ênfase em condicionamento, fortalecimento e equilíbrio. Técnicas de propriocepção ajudam a corrigir o movimento e reduzir o risco de lesões.
Pesquisas e ações futuras
Instituições buscam soluções para identificar indivíduos mais suscetíveis. No Hospital Albert Einstein, há uso de inteligência artificial para analisar características do joelho e prever riscos de ruptura do LCA.
A iniciativa envolve dados de ressonância e avaliações biomecânicas para mapear padrões de movimento. O objetivo é orientar treinamentos preventivos antes que a lesão ocorra.
Entre na conversa da comunidade