- Cado Santos concluiu a Comrades, percorrendo os 85.777 quilômetros, apesar de medos e dúvidas durante a prova.
- Enfrentou câimbras a partir do km 30 e chegou a tomar sachês específicos para evitar-las; perdeu o contato com o bus (pacers) entre os kms 60 e 70 e temeu não terminar dentro do tempo.
- O medo diminuiu apenas quando apareceu a placa indicando que restavam três quilômetros para o fim; a reação na linha de chegada não foi de choro, mas de alívio.
- A prova proporcionou momentos emocionantes com o público sul-africano, músicas, incentivos de moradores e encontros com pessoas próximas, como o embaixador da Comrades, Nato Amaral.
- Ao terminar, o atleta percebeu que é mais forte do que imaginava, planeja seguir treinando e está considerando participar da centésima edição.
O Diário da Comrades chegou ao seu capítulo final com a experiência de quem concluiu a ultramaratona e, ainda assim, questionou o que faria diferente. O relato acompanha a prova de 85.777 metros, realizada no Sudáfrica, com foco em superação, medo, dor e a atmosfera da competição.
A história é narrada por Cado Santos, corredor brasileiro que participou da edição 2026 da Comrades. O texto descreve a preparação marcada por ansiedade, noites em claro e a largada em meio a rituais que envolvem o hino nacional sul-africano, o canto de Shosholoza e lembranças pessoais.
O dia da prova foi descrito como de nervos à flor da pele, com sensação de que não havia tempo para treinos adicionais. O desafio físico começou com câimbras no quilômetro 30, levando o corredor a gerir a dor com soluções adotadas durante a prova.
Entre os momentos mais marcantes, o narrador cita a presença do bus, o pacer que ditava o ritmo de 11h30, que funcionou como guia emocional. A distância restante foi determinante para o medo de não cumprir o tempo estipulado e manter a medalha.
Em termos físicos, houve travamentos musculares nas panturrilhas, quadríceps e o pé, aliados à dor por cada passo. Mesmo assim, o atleta relata ter descoberto que é possível correr sob intenso desconforto para manter o tempo vivo.
A percepção de apoio da plateia e de moradores, com crianças solicitando high five e voluntários oferecendo massagem, é destacada como combustível emocional. Ao final, o encontro com amigos na linha de chegada levou a um alívio, mais do que a choro.
No dia seguinte, a lembrança dos filhos e dos itens simbólicos usados durante a prova provocou emoção. O relato encerra consolidando a conclusão da prova e refletindo sobre o que poderia ter sido feito de diferente, além de confirmar a força pessoal conquistada.
O autor afirma ter sido surpreendido pela dureza da prova, estimando que o desafio é muito maior do que imaginava. Mantém a definição de que valeu a pena pela experiência única, mesmo com dúvidas sobre participação futura.
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