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Repouso nem sempre é a melhor opção no tratamento do câncer

Exercícios sob orientação médica elevam função e reduzem fadiga, podendo melhorar a resposta ao tratamento sem substituir terapias oncológicas

Exercício físico no tratamento do câncer.
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  • Exercícios podem fazer parte do tratamento do câncer quando liberados pela equipe de saúde, sem substituir cirurgias, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia.
  • Os benefícios incluem melhoria da função do sistema imunológico, redução da inflamação, melhoria do metabolismo e, em alguns casos, melhor circulação ao redor do tumor, o que pode favorecer a terapia.
  • Em pacientes com câncer de mama, cólon e próstata, a prática regular tende a reduzir fadiga, preservar massa muscular e força, melhorar capacidade cardiovascular, sono e qualidade de vida, além de facilitar a recuperação.
  • Não há evidência de que o exercício elimine células cancerígenas nem substitua tratamentos; treinos muito intensos não são comprovadamente melhores do que programas bem orientados e estruturados.
  • O treino deve ser individualizado e aprovado pela equipe de saúde, geralmente incluindo exercícios aeróbicos moderados, treino de força 2 a 3 vezes por semana e atividades de mobilidade, com interrupção em caso de febre, dor no peito, falta de ar ou complicações.

Muitos acreditam que o repouso é a melhor conduta durante o tratamento do câncer. Contudo, quando a equipe médica autoriza, a prática de exercícios físicos pode fazer parte do cuidado, trazendo benefícios à saúde. Organizações científicas, como o ACSM, indicam manter atividade física sempre que possível, respeitando as condições clínicas.

A ideia não é substituir tratamentos como cirurgia, quimioterapia ou radioterapia, mas complementar o cuidado. Estudos indicam que o exercício não elimina células tumorais, mas pode melhorar o funcionamento do organismo e a resposta ao tratamento, em especial quando bem orientado.

Como o exercício atua no organismo

Entre os principais efeitos estão a melhoria da função imunológica, com aumento temporário de células de defesa; a redução de inflamação crônica; e a melhoria do metabolismo, com maior sensibilidade à insulina. Esses mecanismos podem tornar o organismo menos favorável ao crescimento tumoral e facilitar a eficácia terapêutica.

Há também evidências de melhora na circulação e na oxigenação de regiões próximas a tumores, o que pode favorecer a atuação de quimioterapia e radioterapia. Substâncias liberadas pelos músculos durante o treino, as miocinas, mostram impactos promissores em laboratório, ainda sem confirmação clínica ampla.

Benefícios observados em pessoas com câncer

Pacientes com câncer de mama, cólon e próstata que mantêm ou iniciam programas de exercícios após o diagnóstico costumam apresentar redução da fadiga, preservação de massa muscular e força, e melhoria da capacidade cardiovascular. Também há queda de ansiedade e depressão, além de melhoria do sono e da qualidade de vida.

Ensaios clínicos recentes apontam que programas estruturados durante o tratamento oferecem benefícios relevantes. Contudo, a intensidade dos ganhos varia conforme tipo de tumor, estágio da doença e características individuais.

O que ainda não foi comprovado

Não há evidência de que o exercício elimine células cancerígenas em humanos nem substitua tratamentos oncológicos. Treinos excessivamente intensos não demonstram superioridade antitumoral frente a programas bem orientados, individualizados e moderados.

O consenso atual afirma que o exercício é uma estratégia complementar importante no cuidado oncológico, devendo sempre fazer parte de um plano terapêutico acompanhado pela equipe de saúde.

Como planejar os exercícios durante o tratamento

O programa deve ser individualizado e aprovado pela equipe médica. A escolha do tipo e da intensidade depende de fatores como tipo e estágio do câncer, tratamento em andamento, condição no dia e resultados de exames. Alterações como anemia ou baixa contagem de leucócitos podem exigir ajustes ou suspensão temporária.

Quando autorizado, recomenda-se, geralmente, exercícios aeróbicos moderados, treinamento de força duas a três vezes por semana com cargas leves a moderadas, e atividades de mobilidade e alongamento.

Cuidados para interromper a atividade

Deve buscar orientação médica se surgirem febre alta, dor no peito, falta de ar intensa, tonturas acentuadas, sangramentos, dor intensa persistente ou inchaço importante, especialmente em casos de risco de linfedema.

Individualidade do treino

Quem já praticava exercícios pode manter a rotina com adaptações. Iniciantes devem começar devagar, respeitando os limites. Profissional de Educação Física deve considerar tipo e localização do câncer, tratamento em curso, idade, condicionamento, prática anterior e outras condições de saúde.

Antes de iniciar qualquer atividade, é essencial consultar a equipe de saúde responsável pelo tratamento. Os exemplos de treino apresentados devem servir apenas como referência, não substituindo orientação profissional.

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