Pesquisas recentes revelam que a ambidestria, ou a falta de dominância clara, pode estar associada a maiores riscos de dislexia, TDAH e alterações cerebrais. Essa nova perspectiva desafia a visão tradicional que considera o ambidextrismo uma habilidade positiva.
Um estudo com quase 8.000 crianças do Northern Finland Birth Cohort 1986 mostrou que aquelas com preferências manuais inconsistentes têm o dobro das chances de desenvolver problemas de linguagem e desempenho acadêmico inferior aos 8 anos. Aos 16 anos, esses jovens apresentaram também um risco dobrado de sintomas de TDAH, muitos com maior gravidade.
A neurogeneticista Silvia Paracchini, em uma meta-análise de 2023, destacou que a mixed-handedness (uso alternado das mãos) está fortemente ligada à dislexia, diferentemente da canhotice consistente. Isso sugere que a falta de dominância clara, e não ser canhoto, é o que aumenta os riscos.
Implicações Cerebrais
Pesquisas anteriores, como uma de 2011, indicaram que a lateralidade manual fraca está relacionada a maior atrofia no hipocampo e na amígdala em idosos. Esses achados levantam preocupações sobre o envelhecimento cerebral e doenças neurodegenerativas.
A hipótese de Geschwind-Galaburda, proposta em 1987, sugere que o desenvolvimento atípico do hemisfério esquerdo, influenciado por altos níveis de testosterona no feto, pode favorecer a lateralidade cruzada. Isso, por sua vez, aumenta o risco de dislexia e outros transtornos cognitivos.
Esses estudos ressaltam a importância de monitorar crianças com lateralidade manual instável, que podem precisar de suporte educacional e médico para enfrentar os desafios associados a essas condições.
Entre na conversa da comunidade