Mary Cain publicou sua experiência em um livro que expõe anos de treinamento abusivo na Nike Oregon Project sob o olhar de uma atleta de alto desempenho. A revelação chega após a queda de Salazar e o subsequente afastamento de Cain do esporte de alto rendimento.
Cain, que chegou a disputar o Mundial aos 17 anos, relata como foi recrutada por Alberto Salazar e mergulhou em uma fase marcada por abuso emocional, controle de peso e pressões para manter uma imagem magra. O relato descreve também tratamento terapêutico não credenciado e isolamento familiar.
O livro This is Not About Running foi escrito pela própria Cain em tempo presente, buscando manter fidelidade ao que viveu. A autora descreve como o ambiente na Nike influenciou sua saúde mental, com efeitos que se estenderam por anos.
Mudança de tema: diagnóstico e recuperação
Em 2019, a USADA suspendeu Salazar por violação de doping, o que levou Cain a reavaliar as informações que recebeu sobre medicamentos usados pelo treinador. O episódio contribuiu para o reconhecimento de falhas sistêmicas no programa de desenvolvimento de atletas.
Após deixar a Nike em 2016, Cain enfrentou depressão, transtornos alimentares e uma condição dolorosa na perna que evoluiu para um quadro de neuropatia. O caso a levou a buscar tratamento médico mais aprofundado.
Caminho acadêmico e futuro
Aos poucos, Cain encontrou apoio na medicina. Em 2022 iniciou estudos na Stanford University, seguindo para Harvard ou Stanford, e acabou optando por Stanford após a cirurgia bem-sucedida de um problema vascular. Hoje, pretende seguir atuando na área médica após concluir as etapas de formação.
Cain também relata que, mesmo com a queda de Salazar, não basta punição individual para mudanças no esporte. Ela aponta a necessidade de reformulação de políticas de treinamento, acompanhamento psicológico e cultura institucional que previnam abusos.
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