Conduzidos por Tiago Bortolini, neurocientista apoiado pelo IDOR Ciência Pioneira, dois estudos analisaram o cérebro de torcedores para entender a força da identidade associada ao time. As pesquisas foram publicadas na Scientific Reports (Nature) e em Evolution and Human Behavior.
Os trabalhos mostram que, ao apoiar torcedores do mesmo clube, dois córtices ligados à recompensa e ao apego são ativados. O pesquisador compara esse vínculo à proximidade de laços familiares e aponta impactos na disposição a sacrifícios pessoais pelo grupo.
O estudo sugere que esse mecanismo também sustenta episódios de violência em estádios. Em contextos de grandes competições, a fusão entre identidade individual e coletiva tende a aumentar, segundo os pesquisadores.
Contexto e método no futebol brasileiro
Pesquisas com torcedores brasileiros ajudam a entender a psicologia de grupo em cenários reais, sem artifícios de laboratório. O futebol é descrito como ambiente de laços fortes, emoções genuínas e rivalidades históricas.
Segundo Bortolini, a violência não estaria ligada apenas a indivíduos desajustados, mas a uma psicologia de defesa de grupo. O estudo aponta uma possível ligação com traços de uma “psicologia guerreira” ancestral.
A compreensão dessas dinâmicas pode auxiliar na gestão de violência em estádios e na intervenção em outros fenômenos sociais destrutivos, como radicalizações e mobilizações extremas.
O caso brasileiro e o engajamento na Copa
Levantamento da Ipsos-Ipec indica menor animação da torcida brasileira para a Copa, mas isso não implica menor engajamento. Quando a identificação é mais profunda, os laços tendem a se fortalecer.
Bortolini explica que fusões entre identidades individual e de grupo tendem a manter o interesse, mesmo diante de fracassos compartilhados. O núcleo de torcedores altamente alinhados costuma permanecer engajado.
Entre na conversa da comunidade