A dependência de receitas geradas pela venda de atletas preocupa Palmeiras e outros gigantes do futebol brasileiro. O clube paulista teve 41% de suas receitas ligadas a transferências no ano de 2025, segundo o relatório da Galápagos Capital.
O levantamento, intitulado Convocados, analisa riscos financeiros de clubes que promovem o modelo de manter base e vender jogadores para fechar as contas. O estudo cita o Brasil como um dos maiores exportadores de talento, com 1.455 jogadores atuando no exterior, em 135 ligas.
Na prática, a dependência de vendas tem sido uma estratégia comum para equilibrar orçamento. Entre os maiores gastos com atletas anunciados na última janela, Palmeiras, Botafogo e Fluminense aparecem entre os clubes que mais dependem dessas transações para manter as contas em dia.
Segundo o relatório, o Palmeiras acumulou 1,029 bilhão de reais em dívidas, e a receita total atingiu 1,6 bilhão em 2025, impulsionada pela Copa do Mundo de clubes. O criticado peso das transferências fica visível na fatia de 41% da receita total, acima de rivais como Flamengo (26%), São Paulo (28%) e Fluminense (23%).
Entre os exemplos de venda que puxaram o ranking de receitas, destacam-se: Rayan, que deixou o Vasco rumo ao Bournemouth por 35 milhões de euros (aprox. 220 milhões de reais); Jhon Jhon, do Bragantino para o Zenit, por cerca de 125 milhões de reais; e Souza, do Santos para o Tottenham, por 95 milhões de reais.
Riscos e impactos para o planejamento
César Grafietti, economista responsável pelo relatório, aponta que clubes dependentes de venda de atletas enfrentam riscos de desequilíbrio financeiro se o fluxo de transferências diminuir. O Palmeiras, embora com receita estável em termos operacionais, precisaria vender entre 400 e 600 milhões de reais anualmente para manter o equilíbrio caso ocorram ajustes no ritmo de vendas.
O estudo ressalta que outros clubes que adotaram o mesmo modelo no passado enfrentam problemas semelhantes. São Paulo e Internacional são citados como exemplos de quedas na arrecadação após reduzir as vendas por alguns anos.
A competição pela formação de talentos também ganha fôlego. Flamengo, Bahia, Red Bull Bragantino e Cruzeiro passaram a investir mais na base, o que aumenta a concorrência para capturar promessas. Assim, a dependência de transferências pode se tornar ainda mais desafiadora para manter a mesma trajetória de receitas.
Entre na conversa da comunidade