O plano de Xi Jinping para transformar o futebol chinês não atingiu as metas esperadas. Em 2011, o líder anunciou sonhos: classificar a equipe masculina para a Copa, sediar um Mundial e, por fim, ser campeão. Em 2016, o governo lançou uma estratégia com metas ambiciosas, como 70 mil campos e 30 milhões de crianças praticando o esporte até 2020.
A era de gastos bilionários começou em 2015, quando equipes da Superliga contrataram estrelas globais, como Oscar, Hulk e Tévez, além de técnicos campeões mundiais. O objetivo principal, porém, era agradar o governo para facilitar empréstimos e acesso a terras, gerando um crescimento financeiro artificial.
Reconhecimento de problemas financeiros
A indústria footballística chinesa era sustentada por grandes incorporadoras imobiliárias. Com a crise do setor, o financiamento secou. O Guangzhou Evergrande, octacampeão, acabou extinto no início de 2025 após a falência da Evergrande. Ao todo, mais de 40 clubes fecharam as portas nos últimos anos.
Os casos de corrupção se tornaram centrais no esporte. Houve manipulação de resultados e subornos, com punições a nove equipes e mais de 70 pessoas banidas. Li Tie, ex-técnico da seleção, recebeu condenação de 20 anos de prisão. Especialistas apontam interferência política excessiva como parte do problema.
Impactos da pandemia e desdobramentos
Entre 2020 e 2022, a China manteve a política de Covid Zero, com bloqueios rigorosos e jogos em bolhas sem público. Estádios vazios dificultaram contratos com jogadores e técnicos estrangeiros. A pandemia ampliou a crise já existente, mas não foi a única causa do insucesso do projeto nacional.
A China enfrentou um conjunto de fatores: finanças instáveis, gestão com foco em resultados a curto prazo e problemas de governança. As autoridades estudam estratégias para reerguer o futebol doméstico, com mudanças estruturais ainda em debate. Fonte: apuração da Gazeta do Povo.
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