O futebol exerceu função diplomática ao aproximar Brasil e Haiti há mais de duas décadas. Em 2004, Porto Príncipe recebeu um amistoso entre as seleções, em meio a crise política haitiana e a criação da missão da ONU Minustah.
Naquela época, o Haiti vivia a deposição do presidente Aristide. O Brasil liderou a missão de paz e enviou o maior contingente, buscando ampliar influência internacional e uma vaga no Conselho de Segurança da ONU. O Jogo da Paz foi promovido paralelamente a uma campanha de desarmamento.
Contexto diplomático e o amistoso
A seleção brasileira chegou ao Haiti como atual campeã mundial (2002) e levou o troféu ao país caribenho. A visita gerou festa em Porto Príncipe, com presença de Ronaldo, Ronaldinho Gaúcho e Roberto Carlos, recebidos em carros blindados.
A partida terminou 6 a 0 para o Brasil, com Ronaldinho marcando três gols. Roger e Nilmar completaram a goleada. Entre as ausências, Dida, Cafu e Kaká não viajaram; Lúcio e Zé Roberto ficaram no Bayern. Lula acompanhou o jogo de perto.
O evento teve forte comoção local: o público viu os atletas como símbolos de paz e de oportunidade, mesmo diante de uma situação de pobreza extrema. As memórias do jogo ainda influenciam o carinho haitiano pela seleção brasileira.
Desfecho da missão e desdobramentos
A Minustah permaneceu no Haiti até outubro de 2017, com números de ações controversas e denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos de abuso sexual e a introdução de bactérias da cólera. A ONU revisou regras de atuação no país posteriormente.
Brasil e Haiti integram, atualmente, o grupo C da Copa do Mundo, o mesmo da seleção de Marrocos e da Escócia. A classificação haitiana marcou o retorno ao Mundial pela primeira vez desde 1974.
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