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Por que com os pés? Entenda o tema apresentado na reportagem

Coluna analisa por que o futebol usa os pés e como a postura de Trump frente ao esporte ilustra diferenças culturais entre EUA e mundo

A ilustração de Adams Carvalho, publicada na Folha de São Paulo no dia 21 de junho de 2026, mostra o desenho de uma pessoa no ar chutando uma bola de futebol num movimento conhecido como "bicicleta" - que consiste em jogar o corpo para trás enquanto se eleva o pé acima da altura da cabeça para acertar a bola.
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O ensaio da FAZ sobre o futebol como prática que “comparte o imaginário popular” volta a ganhar atualidade ao ser citado em reflexões sobre a cultura do esporte no mundo. O artigo de julho de 2006, reproduzido neste texto, versa sobre o motivo de o futebol exigir tanto dos pés quanto da cabeça, destacando a dificuldade intrínseca de transformar a prática em poesia disciplinada.

A ideia central é simples: a natureza imprevisível do futebol, jogado pela maioria dos pobres, confere ao esporte um componente de surpresa que dificilmente aparece em modalidades mais técnicas. O texto sustenta que cada lance envolve o imponderável, oferecendo uma beleza que, segundo a análise, é menos visível para observadores de outras culturas esportivas.

José Miguel Wisnik, em Veneno Remédio: o Futebol e o Brasil, amplia o debate ao enfatizar que o jogo nasce de um corpo que enfrenta adversidades históricas e sociais. Para ele, o acaso pode decidir uma jogada, e o futebol carrega uma espécie de fatalidade que dificulta o domínio completo do resultado.

Relação com Estados Unidos e o debate político

A cobertura também traça paralelos entre a percepção inglesa e a de outras sociedades, especialmente Estados Unidos, onde a imagem do esporte costuma privilegiar a eficiência. Em contraste, o texto aponta que o futebol guarda relação estreita com a tragédia grega, em que o herói luta contra predestinação externa.

Trump e a visão norte-americana aparecem como referência de descompasso com a complexidade do jogo. A narrativa sugere que o ex-presidente jamais compreenderia a poesia do futebol, marcada pelo esforço contínuo e pela imprevisibilidade, mesmo diante de conquistas significativas.

Perspectivas midiáticas

Reportagens de veículos internacionais são citadas para indicar que o tema continua relevante na imprensa global. A New Yorker, em junho, questionou se a Copa poderia aproximar os EUA do “soccer”, uma possibilidade ainda incerta diante de históricos de 1994. O debate envolve identidades nacionais, cultura esportiva e o papel da mídia na interpretação do jogo.

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