A Copa do Mundo de 2026 é disputada em Estados Unidos, Canadá e México. O torneio revela uma transformação no pertencimento: 292 dos 1.248 jogadores nasceram fora dos países que representam, cerca de 23%. Em 2006, esse índice era de 9%.
A mudança acompanha fluxos migratórios globais que redesenham identidades. A FIFA permite representar seleções por nascimento, ascendência ou residência, ampliando a atuação de atletas com dupla nacionalidade.
Diversas equipes utilizam elencos formados por atletas nascidos no exterior. Marrocos, Argélia, Tunísia, Senegal e Cabo Verde aparecem como exemplos, com muitos jogadores criados na Europa. Eles defendem países de origem familiar.
O fenômeno não se restringe ao continente africano. Alemanha, França, Bélgica, Holanda e Inglaterra também exibem seleções com alta diversidade étnica e cultural. O futebol passa a simbolizar vínculos transnacionais.
Nesse contexto, o conceito de diáspora ganha relevância. Diásporas preservam laços culturais com a terra de origem, mesmo no exterior. O futebol tornou-se espaço de expressão dessas identidades que atravessam fronteiras.
Para milhões de descendentes de imigrantes na Europa e na América do Norte, o sucesso de seleções como Marrocos, Argélia e Tunísia representa visibilidade e reconhecimento, além de resultados esportivos.
Em termos sociais, a Copa de 2026 aponta identidades nacionais em transformação. A referência não é apenas o nascimento, mas trajetórias migratórias, heranças e escolhas de pertencimento.
Em uma região de intensos debates sobre imigração, o torneio mostra identidades mais complexas que as fronteiras desenhadas nos mapas. As seleções continuam nacionais, mas as histórias dos jogadores são transnacionais.
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