Na Copa do Mundo de 1958, Pelé, então com 17 anos, surpreendeu ao marcar seis gols em quatro jogos, ajudando o Brasil a conquistar o título pela primeira vez. A participação do jovem astro gerou grande expectativa no país.
O psicólogo da seleção, João Carvalhaes, defendia que Pelé e Garrincha não deveriam jogar, com base em testes psicotécnicos aplicados aos jogadores. Seus métodos iam além da avaliação física e técnica. A CBD o integrou à comissão.
Carvalhaes introduziu laboratórios de psicologia no futebol brasileiro quase 30 anos antes de tais práticas entrarem na Europa. Comandou avaliações cognitivas e testes que moldaram decisões sobre escalação e preparação.
Durante a preparação para a Copa, em Poços de Caldas (MG), ele utilizou o chamado teste Alfa do Exército para medir vocabulário, aritmética e velocidade de raciocínio. O resultado gerou controvérsia interna.
O vazamento de resultados para a imprensa gerou críticas sobre Garrincha e a condução da seleção. Mesmo assim, Garrincha foi confirmado na equipe e a presença de Carvalhaes se manteve na viagem à Suécia.
Legado e evolução da psicologia no futebol
Após a Copa, Carvalhaes manteve o trabalho no São Paulo até 1974, defendendo sessões de aconselhamento e testes cognitivos. Sua atuação ajudou a abrir espaço para a psicologia esportiva no Brasil.
A CBD reconheceu o trabalho dele tardiamente, enquanto o Brasil avançava com novos métodos. Estudos posteriores mostraram o impacto de abordagens psicológicas no desempenho de atletas de elite.
Hoje, a presença de psicólogos nas seleções é comum, com a CBD usando profissionais desde 2024 para apoiar a preparação diária. O papel da psicologia no futebol é mais integrado e aceito.
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