Em Brasília, a trajetória de uma paixão ganhou contorno inusitado: a coleção particular do professor de filosofia Marconi Scarinci reúne mais de 500 livros sobre futebol, incluindo edições raras e autógrafos de ícones do esporte. Um exemplar gravado com dedicatória de Pelé surge entre as preciosidades.
A história começa há 30 anos, quando Scarinci começou a garimpar obras sobre futebol em sebos, motivado pela curiosidade de ligar o esporte à cultura. Hoje, as estantes ocupam grande parte do apartamento do professor, que também coleciona objetos como o batom de Elza Soares e o autógrafo de Nilton Santos na biografia de Garrincha.
A paixão pelo futebol remonta à infância. A primeira Copa acompanhada foi a de 1970, aos oito anos, e a leitura de jornais esportivos ajudou a moldar a visão de mundo de Scarinci, hoje professor no Centro de Ensino Médio Taguatinga Norte. A coleção une obras de diferentes clubes e correntes, sem favoritismo explícito.
Durante a cobertura de eventos em 50 anos da Copa de 1958, em Brasília, foi registrado um jantar no Meliá Hotel. Pelé teria elogiado pessoalmente a atuação de Scarinci como coordenador da semana dedicada àquele título, reforçando a ligação entre o professor e a história do futebol brasileiro.
Para o colecionador, o futebol também funciona como ferramenta de letramento. Entre as obras, destacam-se títulos sobre a Copa, a formação de jogadores e a identidade do futebol brasileiro, incluindo debates sobre a mercantilização e a preservação da tradição da chamada periodização do “futebol arte”.
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