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Uefa mantém ameaça de boicote à Copa do Mundo em meio à crise na Fifa

Entidade diz que exigências não foram atendidas e mantém críticas a Infantino

FIFA World Cup 2026 - FIFA President Gianni Infantino Press Conference - Estadio Azteca, Mexico City, Mexico - June 10, 2026 FIFA President Gianni Infantino during the press conference REUTERS/Henry Romero

A tentativa da Fifa de encerrar uma das maiores crises da gestão de Gianni Infantino não convenceu a Uefa. Nesta quinta-feira (6), a entidade responsável pelo futebol europeu manteve a ameaça de boicotar a Copa do Mundo e voltou a afirmar que não confia mais no presidente da organização. A revolta começou após a Fifa […]

A tentativa da Fifa de encerrar uma das maiores crises da gestão de Gianni Infantino não convenceu a Uefa. Nesta quinta-feira (6), a entidade responsável pelo futebol europeu manteve a ameaça de boicotar a Copa do Mundo e voltou a afirmar que não confia mais no presidente da organização.

A revolta começou após a Fifa discutir uma proposta para negociar parte das receitas comerciais que a Copa do Mundo deve gerar no futuro. Em outras palavras, vender partes do Mundial. O projeto ainda avançou sem que federações nacionais e outras entidades importantes do futebol fossem consultadas.

Quando o plano veio a público, a reação foi imediata. Após a repercussão negativa e a primeira ameaça de boicote dos europeus, a FIFA abandonou a proposta, pediu desculpas às suas 211 federações filiadas e reconheceu que deveria ter conduzido o assunto de outra maneira.

A entidade também prometeu revisar todo o processo. Um relatório será apresentado ao Conselho da Fifa, grupo responsável por algumas das principais decisões da organização, em uma próxima reunião.

O recuo, porém, não encerrou a crise. Para a Uefa, o problema não está apenas na proposta que foi retirada, mas na forma como Infantino tomou uma decisão tão importante sem ouvir quem seria diretamente afetado.

Escritório da FIFA em Rabat, no Marrocos. Imagem: Reprodução / Redes Sociais – Gianni Infantino

Pedido de desculpas não basta

Duas condições foram apresentadas pela Uefa para que a ameaça de boicote fosse retirada. A primeira exigia que a Fifa abandonasse completamente as propostas de negociação comercial de suas principais competições. A segunda cobrava garantias de que decisões semelhantes não seriam tomadas novamente sem discussão prévia. Segundo a entidade europeia, nenhuma das exigências foi cumprida.

Ainda não se sabe, porém, como um eventual boicote seria colocado em prática. A Uefa não informou, por exemplo, se as seleções europeias deixariam de disputar a Copa do Mundo Feminina Sub-20, marcada para o próximo mês, na Polônia.

Fora da Europa, a insatisfação também aumentou.

Conmebol:  a confederação sul-americana criticou as “repetidas ações unilaterais tomadas sem diálogo”,  cobrou respeito às normas internas da Fifa e afirmou  que qualquer mudança no comando ou na estrutura da Fifa ocorra pelas regras existentes, e não por decisões tomadas fora delas.

Fifpro: a representante internacional dos jogadores adotou um tom ainda mais duro e classificou o projeto negociado em sigilo como um “profundo abuso do poder presidencial”.

Em sua defesa, a Fifa afirma que não violou as próprias normas e que os erros ocorreram apenas na condução e na comunicação da proposta. Para a Fifpro, essa justificativa torna o episódio ainda mais preocupante.

Infantino tenta preservar apoio antes da eleição

Enquanto as críticas aumentam, Infantino tenta mostrar que está sob o controle da situação. Na quarta-feira (5), dirigentes da organização se reuniram em Rabat, no Marrocos, e manifestaram apoio público ao presidente.

O secretário-geral Mattias Grafström e integrantes da administração da entidade defenderam a gestão. Infantino, por sua vez, elogiou o trabalho dos funcionários.

Depois do encontro, o presidente publicou uma foto ao lado do secretário-geral durante uma partida da Copa Africana de Nações Feminina, em Rabat. Os dois apareceram sorrindo e fazendo um sinal positivo, talvez uma tentativa de mostrar união dentro da entidade.

Infantino e Mattias Grafström juntos na última quarta (05). Imagem: Reprodução / Gianni Infantino

A imagem, no entanto, não eliminou a pressão externa. Além da Uefa e da Conmebol, também surgiram críticas de representantes da Concacaf, que administra o futebol na América do Norte, América Central e Caribe, e da Confederação Asiática.

Infantino ainda conta com apoio de muitas federações menores, principalmente na África e na Ásia. Para esses países, os recursos distribuídos pela Fifa são importantes para financiar campeonatos, estruturas e programas de desenvolvimento do futebol.

Esse apoio mantém o presidente em posição favorável para buscar um quarto mandato, que poderá deixá-lo no comando da Fifa até 2031. Até o momento, nenhum adversário com força política suficiente apareceu para enfrentá-lo na eleição marcada para março, também no Marrocos.

A partir de agora, novas propostas sobre dinheiro, mudanças na Copa do Mundo ou regras internas deverão enfrentar uma cobrança maior por transparência e participação das entidades envolvidas.

Com informações da Reuters

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