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LDU volta a ameaçar brasileiros e põe Mirassol à prova na Libertadores

Equatorianos derrubaram São Paulo, Fortaleza e Botafogo nos últimos anos e não perdem para um clube brasileiro em Quito há nove jogos

Mirassol em partida válida pela Libertadores 2026. (Foto: Mirassolfc.com)

O Mirassol inicia nesta quinta-feira (13), às 19h, o primeiro mata-mata internacional de sua história diante de um adversário que voltou a se transformar em pedra no sapato dos clubes brasileiros.

A LDU chega às oitavas de final da Libertadores sustentada por um retrospecto recente impressionante, principalmente quando joga nos 2.850 metros de altitude de Quito.

Desde 2023, os equatorianos eliminaram o São Paulo duas vezes, derrubaram o Botafogo e conquistaram uma Sul-Americana diante do Fortaleza. Em 2025, ainda chegaram a abrir 3 a 0 sobre o Palmeiras em uma semifinal de Libertadores, antes de sofrer uma virada histórica no jogo de volta.

É um histórico que ganha ainda mais peso quando a partida acontece na capital equatoriana. Nos últimos nove jogos como mandante contra brasileiros, a LDU não perdeu: são sete vitórias e dois empates, com 13 gols marcados e apenas um sofrido.

O último visitante brasileiro a balançar as redes da LDU em Quito foi justamente o São Paulo, em agosto de 2023.

2023: São Paulo e Fortaleza ficam pelo caminho

Nas quartas de final, a LDU recebeu o São Paulo no estádio Rodrigo Paz Delgado e venceu por 2 a 1. O Tricolor devolveu a vantagem mínima no Morumbi, com vitória por 1 a 0, e levou a decisão para os pênaltis.

Nas cobranças, os equatorianos fizeram 5 a 4 e avançaram. James Rodríguez desperdiçou a cobrança são-paulina.

A LDU passou depois pelo Defensa y Justicia e encontrou outro brasileiro na decisão: o Fortaleza.

Em Punta del Este, no Uruguai, Lucero colocou o time cearense na frente, mas Alzugaray empatou. O 1 a 1 permaneceu até o fim da prorrogação e levou o título para os pênaltis.

A LDU venceu por 4 a 3 e conquistou sua segunda Sul-Americana.

2024: Fluminense e Botafogo vencem a guerra, mas sofrem em Quito

A temporada seguinte teve um cenário diferente.

Campeã da Sul-Americana, a LDU enfrentou o Fluminense, vencedor da Libertadores, pela Recopa. No primeiro jogo, no Equador, venceu por 1 a 0. O resultado ampliou a fama do estádio como um dos ambientes mais difíceis do continente.

O Fluminense, porém, conseguiu mudar a história no Maracanã. Venceu por 2 a 0 e ficou com a taça.

Poucos meses depois, foi a vez do Botafogo visitar Quito pela fase de grupos da Libertadores. A LDU ganhou novamente por 1 a 0.

A derrota não impediu a campanha alvinegra, que avançou e terminaria aquela edição como campeão da América. Para a LDU, porém, os dois jogos mantiveram a força dentro de casa contra brasileiros.

2025: Botafogo e São Paulo eliminados; Palmeiras quase entra na lista

Foi em 2025 que a fama voltou a ganhar proporções maiores.

O primeiro brasileiro a cruzar o caminho da LDU no mata-mata foi justamente o então campeão Botafogo.

O Alvinegro venceu a ida das oitavas por 1 a 0 no Nilton Santos e desembarcou em Quito podendo empatar. A vantagem desapareceu. Villamil e Alzugaray marcaram na vitória equatoriana por 2 a 0, suficiente para eliminar o atual campeão da Libertadores.

Nas quartas, veio o São Paulo.

A LDU abriu uma vantagem ainda maior em casa: 2 a 0. No Morumbis, em vez de apenas administrar, voltou a vencer. Medina marcou o gol do triunfo por 1 a 0, e os equatorianos fecharam o confronto com 3 a 0 no agregado.

A sequência fez até a imprensa espanhola definir o clube como um “matador de gigantes”, lembrando também os títulos continentais conquistados sobre o Fluminense em 2008 e 2009.

O terceiro brasileiro daquela campanha foi o Palmeiras.

E parecia que a história se repetiria.

A LDU fez 3 a 0 em Quito no primeiro jogo da semifinal. O resultado representou a pior derrota palmeirense em 30 anos de Libertadores e deixou os equatorianos muito próximos de mais uma final.

Desta vez, porém, houve reação. O Palmeiras venceu por 4 a 0 no Allianz Parque e protagonizou uma virada inédita em uma semifinal da competição.

Foi uma das raras ocasiões recentes em que um brasileiro conseguiu sobreviver depois de sair de Quito com uma grande desvantagem.

Nove jogos sem perder para brasileiros em Quito

O tamanho do desafio que aguarda o Mirassol na partida de volta aparece na sequência construída desde 2023.

São sete vitórias, dois empates, 13 gols marcados e apenas um sofrido.

A sequência inclui partidas de fase de grupos, Recopa e mata-matas, mas mostra uma característica constante: tirar pontos da LDU em Quito se tornou extremamente difícil para os brasileiros.

Mirassol já sabe o que é sofrer na altitude

O Mirassol não precisará imaginar como é enfrentar esse cenário.

Os clubes estiveram no mesmo grupo nesta Libertadores. Na segunda rodada, a LDU venceu por 2 a 0 em Quito, com gols de Yerlin Quiñónez e José Quintero.

No Maião, a história se inverteu. O Mirassol venceu também por 2 a 0, com Lucas Oliveira e Reinaldo.

A igualdade entre os dois se estendeu por praticamente toda a classificação. LDU e Mirassol encerraram o Grupo G com 12 pontos, quatro vitórias e duas derrotas, além de terem terminado empatados no saldo de gols. Os equatorianos ficaram em primeiro porque marcaram oito gols, contra sete do clube brasileiro.

O sorteio das oitavas colocou os dois novamente frente a frente.

Primeiro mata-mata continental da história do Mirassol

Para a LDU, disputar fases eliminatórias de competições sul-americanas é rotina. O clube foi campeão da Libertadores em 2008, da Sul-Americana em 2009 e 2023, além de possuir duas Recopas.

Para o Mirassol, tudo é novidade.

A Libertadores de 2026 é a primeira competição internacional da história do clube. O Leão estreou diretamente na fase de grupos e conseguiu avançar às oitavas com uma rodada de antecedência.

A classificação também encerrou um longo jejum do futebol do interior paulista. O Mirassol se tornou o primeiro clube do interior do estado a ultrapassar uma fase de grupos da Libertadores desde o Guarani, em 1988.

Agora disputará, pela primeira vez, uma eliminatória continental.

O contexto torna o jogo de ida ainda mais importante. O Mirassol tem 100% de aproveitamento como mandante nesta Libertadores e tentará construir uma vantagem antes de viajar ao Equador.

A decisão será na quinta-feira (20), às 19h de Brasília, no Rodrigo Paz Delgado.

É justamente ali que a LDU construiu boa parte de sua fama recente de carrasco dos brasileiros. Desde 2023, São Paulo, Fluminense, Botafogo, Flamengo, Palmeiras e o próprio Mirassol passaram pelo estádio. Nenhum saiu com uma vitória.

Para prolongar a campanha mais importante de sua história, o Mirassol terá primeiro a oportunidade de fazer no Maião aquilo que os últimos confrontos ensinam: chegar a Quito já em vantagem pode ser muito mais do que um detalhe.

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