O Ministério Público de São Paulo (MPSP) abriu uma apuração para verificar se o Corinthians pode ter sofrido uma cobrança de R$ 255,7 milhões a mais na dívida do financiamento da Neo Química Arena com a Caixa Econômica Federal.
O caso começou a partir de uma representação enviada ao MP pelo perito Anísio Costa Castelo Branco. Ele questiona os cálculos usados na cobrança feita pela Caixa contra o clube em 2019.
Naquele ano, a Caixa entrou na Justiça cobrando do Corinthians R$ 536.092.853,27. A representação, porém, apresenta um novo cálculo e sustenta que a dívida naquele período seria de R$ 280.339.847,34. A diferença entre os dois valores é de R$ 255.753.005,93.
Agora, o Ministério Público pediu uma perícia para conferir esses números e verificar se o Corinthians realmente foi cobrado acima do que devia ou se fez pagamentos maiores do que deveria.
Por que a dívida foi questionada?
A cobrança apresentada na justiça pela Caixa em 22 de agosto de 2019 tinha como ponto de partida um saldo devedor de R$ 423.942.524,34. O financiamento original mencionado era de R$ 400 milhões.
Segundo a representação, os documentos disponíveis não permitem entender de forma completa como o financiamento chegou ao saldo de R$ 423,9 milhões usado pela Caixa nos cálculos.
A análise afirma que não foram encontrados elementos suficientes para conferir todos os valores liberados, encargos cobrados, taxas aplicadas, amortizações, pagamentos e outras movimentações consideradas ao longo do financiamento.
Com isso, o autor da representação afirma que não conseguiu confirmar, apenas com os documentos disponíveis, se o saldo apresentado pela Caixa estava matematicamente correto.
Foi após analisar esses pontos que a representação chegou ao cálculo de que a dívida do Corinthians naquele período seria de R$ 280,3 milhões, bem abaixo dos R$ 536,1 milhões cobrados judicialmente pela Caixa.
O que o Ministério Público vai investigar?
Até agora, não existe uma conclusão do Ministério Público de que houve cobrança indevida. A Promotoria abriu o procedimento para verificar se os questionamentos apresentados têm fundamento e se o Corinthians sofreu prejuízo nos pagamentos relacionados ao financiamento da Arena.
O procedimento administrativo preparatório foi aberto pelo promotor Cassio Roberto Conserino, que determinou a realização de uma perícia detalhada sobre os cálculos apresentados na representação. O despacho foi assinado em 26 de agosto de 2026.
O trabalho ficará a cargo do Instituto de Perícia Investigativa (IPI), responsável por analisar os números, os métodos e os critérios técnicos utilizados nos cálculos. A intenção é esclarecer o ponto central do caso: se os valores cobrados do Corinthians estavam corretos ou se o clube pagou mais do que realmente devia.
A apuração também deverá verificar se dirigentes ou gestores do Corinthians autorizaram pagamentos sem documentação suficiente para justificá-los ou em valores superiores à dívida efetivamente existente.
No despacho, Conserino afirma que, caso as informações apresentadas sejam confirmadas, poderá ser analisada uma possível gestão temerária de dirigentes e gestores que tenham permitido pagamentos indevidos ou acima do valor devido.
Neste momento, porém, o próprio promotor ressalta que o procedimento tem natureza não criminal.
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