A Federação Francesa de Futebol (FFF) anunciou nesta quinta-feira (10) que não apoiará Gianni Infantino na eleição para a presidência da Fifa, marcada para março de 2027. A decisão é mais um sinal da resistência ao dirigente na Europa, mas, nos bastidores, a informação é que ele ainda reúne votos suficientes para permanecer no cargo.
O presidente da FFF, Philippe Diallo, afirmou que a entidade perdeu a confiança em Infantino e que não se identifica mais com a forma como a Fifa é conduzida.
“Consideramos que, de alguma maneira, foi rompida a confiança depositada no presidente da Fifa, que a forma como concebemos a gestão do futebol mundial já não nos representa.”
A França se junta a federações como Itália, Bélgica, Suécia e Escócia, que também retiraram o apoio à reeleição do suíço-italiano.
Vale lembrar que a crise na entidade que comanda o futebol mundial ganhou força após o fracasso do plano do presidente de vender participações em competições da Fifa a investidores privados. A proposta foi retirada após forte resistência de entidades como Uefa, Confederação Asiática de Futebol e Concacaf.
Há poucas semanas, figuras importantes do futebol mundial consideravam a permanência de Infantino difícil de sustentar. O cenário, porém, mudou. “Três semanas atrás, eu achava que ele estava acabado”, disse à Reuters uma fonte com conhecimento direto das discussões entre dirigentes. “O que eu não percebi foi até que ponto, após 10 anos no poder, as relações que ele construiu são quase inquebráveis.”
O problema está nos votos
A principal dificuldade para os adversários de Infantino é encontrar um nome capaz de formar uma maioria entre as 211 federações filiadas à Fifa.
Cada associação nacional tem direito a um voto no Congresso da entidade. Isso reduz o peso isolado da Europa, já que a Uefa reúne 55 membros e precisaria construir uma coalizão com outras confederações para derrotar o atual presidente.
Infantino mantém apoio importante fora do continente europeu, especialmente entre federações de menor tradição no futebol. A Conmebol continua ao lado do dirigente, assim como países influentes da África, entre eles o Marrocos.
Por isso, opositores passaram a discutir outra estratégia. Em vez de lançar uma candidatura sem garantia de vitória, a prioridade poderia ser reduzir os poderes do presidente, reforçar os mecanismos de governança e ampliar o controle sobre decisões comerciais da Fifa.
“Acho que o rumo mudou. É um risco ainda maior para a Uefa ir à votação e não vencer”, afirmou uma fonte à Reuters.
Uma derrota nas urnas poderia, na avaliação dos críticos, acabar fortalecendo ainda mais Infantino.
França quer encontrar um adversário
A FFF decidiu abrir consultas para tentar encontrar um candidato capaz de enfrentar o presidente da Fifa. Um dos nomes vistos como potencialmente competitivos era o presidente do Paris Saint-Germain, Nasser Al-Khelaifi. Ele, porém, descartou a possibilidade e afirmou, por meio de um porta-voz, que não tem ambição, intenção ou interesse em assumir a presidência da entidade.
O presidente da Concacaf, Victor Montagliani, também aparece nas discussões, mas provavelmente não entraria na disputa sem ter antes garantias de apoio suficiente para vencer.
Um candidato africano ou asiático ainda pode surgir até 18 de novembro, prazo final para apresentação das candidaturas.
Infantino confirmou no último domingo que tentará um novo mandato e, até agora, é o único candidato declarado para a eleição de 18 de março de 2027.
Pressão por mudanças continua
Mesmo entre confederações que permanecem ao lado de Infantino, há cobranças por mais transparência, controles mais rígidos sobre decisões comerciais e mudanças na governança da Fifa.
Marrocos está entre os apoiadores públicos do dirigente. Uma fonte da Confederação Africana de Futebol disse à Reuters que há pessoas no futebol africano que acreditam que o presidente da federação marroquina, Fouzi Lekjaa, teria recebido a promessa de sediar a final da Copa do Mundo de 2030 em troca de ajudar a preservar o apoio africano a Infantino.
A Fifa negou que qualquer promessa desse tipo tenha sido feita. Lekjaa afirmou nesta quinta-feira que a decisão será realizada na região de Casablanca, embora a entidade ainda não tenha anunciado oficialmente o local.
Com informações da Reuters e da AFP
Entre na conversa da comunidade