Cristiano Ronaldo divulgou nesta terça-feira (6) um comunicado em que apresenta a sua versão sobre a crise que o levou a abandonar a concentração da seleção portuguesa na semana passada.
O texto, escrito em primeira pessoa, acusa o técnico Jorge Jesus de romper um acordo firmado entre os dois.
Segundo o capitão, o conflito teve origem em um plano de gestão física combinado no início da temporada, proposto pelo próprio treinador e aceito por ele.
A primeira ruptura, no relato do atacante, ocorreu quando ficou no banco de reservas na partida contra a Noruega, pela Liga das Nações, em 27 de setembro.
“Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O Selecionador tinha-me falhado com a sua palavra”, diz um trecho do comunicado do atacante.
A situação chegou ao limite dias depois, quando Jesus avisou que não o escalaria como titular diante da Dinamarca, em 1º de outubro, em Copenhague. “Decidi sair do estágio sem esperar por mais nenhuma quebra de palavra”, escreveu.
Ao fim da partida, não foi cumprimentar os torcedores, episódio pelo qual pediu desculpas: “Uma falha da qual sou o único responsável”.
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O ponto mais revelador do comunicado é a reprodução de um documento com oito pontos escrito por Jesus. No sexto item, o treinador faz autocrítica: “Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo”, admitindo que não repetiria a decisão. No sétimo, afirma querer o atacante na seleção, e não pouco, mas muito.
O atacante também relata ter ouvido, em uma reunião com o presidente da Federação Portuguesa, “expressões e uma agressividade” que considera não merecer, descrevendo uma postura que contrastava com a conversa reservada do dia anterior.
Ronaldo afirmou ainda que apoiou a escolha de Jesus para suceder Roberto Martínez, que deixou o cargo após a Copa do Mundo de 2026, e reconheceu que pode ser punido por deixar a concentração. Ele também revelou guardar uma carta escrita após o Mundial, destinada aos portugueses, para quando se afastar definitivamente da seleção.
Capitão e recordista absoluto da seleção, com 234 partidas e 146 gols, Ronaldo defende Portugal há 24 anos consecutivos.
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