Salários bloqueados, contratos de patrocínio ameaçados e milhões de dólares da Conmebol em um banco sob intervenção. A crise financeira do Ueno Bank, que levou o Banco Central do Paraguai a intervir na instituição na última terça-feira (3), também atingiu o futebol do país.
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Essa intervenção foi motivada por problemas financeiros que comprometeram a capacidade do banco de cumprir suas obrigações e desencadearam uma crise que já afeta metade da população paraguaia. As consequências também chegaram ao governo, com o presidente Santiago Peña apresentando sua renúncia na quinta-feira (5). O Senado, porém, não aceitou o pedido e passou a buscar sua destituição por meio de um processo de impeachment relacionado ao caso.
No mundo da bola, o sindicato dos jogadores denuncia dificuldades no recebimento de salários, enquanto a confederação sul-americana mantém cerca de US$ 13 milhões (R$ 71,4 milhões) depositados no banco.
Conmebol tem R$ 71,4 milhões em banco sob intervenção
A Conmebol mantém cerca de US$ 13 milhões (R$ 71,4 milhões) depositados no Ueno Bank, instituição financeira paraguaia que enfrenta uma crise. Sediada em Luque, nos arredores de Assunção, a confederação tem o dinheiro aplicado em um certificado de depósito a prazo fixo, valor equivalente a 2,3% de suas receitas em 2025.
Apesar da quantia envolvida, uma fonte da Conmebol afirmou à AFP que a situação não compromete as atividades da entidade. O Ueno Bank também é patrocinador da Copa Sul-Americana desde meados de 2024, mas o contrato, que termina em dezembro, não será renovado, segundo a mesma fonte.
A confederação também não prevê impactos significativos na final da Sul-Americana, marcada para 21 de novembro, entre Boca Juniors e Atlético-MG, em Barranquilla, na Colômbia.
Jogadores denunciam salários bloqueados
No futebol paraguaio, a crise também afeta os jogadores. Rogelio Delgado, presidente do sindicato Futbolistas Asociados del Paraguay, afirmou ao jornal argentino Olé que muitos atletas foram prejudicados pelos problemas enfrentados pelo Ueno Bank.
A instituição ampliou sua presença no futebol do país nos últimos anos, firmando contratos de patrocínio com clubes como Olimpia, Cerro Porteño, Guaraní, Sportivo Luqueño e Rubio Ñu. Além das equipes, o banco passou a dar nome a dois estádios tradicionais do Paraguai, o Defensores del Chaco, da Associação Paraguaia de Futebol, e o La Nueva Olla, do Cerro Porteño.
Seleção paraguaia cobra providências das autoridades
Jogadores da seleção também se declararam vítimas da crise. Em comunicado divulgado nas redes sociais do capitão Gustavo Gómez, do Palmeiras, o grupo manifestou indignação com a situação.
“Nós também fomos vítimas desta situação. Compartilhamos a mesma indignação, preocupação e dor que afetam tantos compatriotas. Não é justo, e não vamos permitir, que, por causa das ações de alguns poucos indivíduos desprezíveis, o nome e a reputação de todo o Paraguai sejam manchados”
Os atletas cobraram medidas imediatas do governo e da Justiça, exigindo transparência na apuração do caso.
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