O Senado do Paraguai rejeitou nesta sexta-feira (6) o pedido do presidente Santiago Peña por mais 72 horas para preparar sua defesa no processo de impeachment aberto em meio à crise do Ueno Bank.
“Não reunimos os votos necessários, então o tempo de prorrogação é rejeitado”, afirmou o presidente do Senado, Basilio Núñez.
Com a decisão, o julgamento deve avançar ainda nesta sexta-feira.
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Peña havia solicitado a ampliação do prazo alegando que recebeu a acusação acompanhada de cerca de 300 páginas de anexos menos de 12 horas antes da sessão.
“Fui notificado às 22h15 com uma peça acusatória e cerca de 300 páginas de anexos, e querem que eu responda em menos de 12 horas. Isso não é devido processo legal”, escreveu no X.
He pedido una prórroga de 72 horas para ejercer mi defensa. Me notificaron a las 22:15 con un libelo acusatorio y unas 300 fojas de anexos, y pretenden que responda en menos de 12 horas. Eso no es debido proceso.
Voy a exponer mi verdad ante toda la ciudadanía, aunque resulte incómoda para muchos actores políticos. Nunca voy a rehuir mi compromiso con la gente, y menos en los momentos difíciles.
— Santiago Peña (@SantiPenap) November 6, 2026
Crise começou com intervenção no Ueno Bank
A crise começou na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai decidiu intervir no Ueno Bank por problemas de solvência.
A medida provocou o congelamento das contas de cerca de 3 milhões de clientes, além de recursos públicos mantidos na instituição.
Milhares de pessoas foram às ruas entre terça e quinta-feira em Assunção para exigir a devolução do dinheiro e a saída de Peña.
“Quero ver Santiago Peña na prisão, porque ele nos roubou, roubou o povo, mentiu”, disse à AFP o estudante Mariano Giménez, de 26 anos.
Um dos protestos terminou com uso de jatos d’água e gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.
Peña segue no cargo
Peña continua formalmente na Presidência porque o Congresso não conseguiu votar sua renúncia por falta de quórum.
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O pedido de renúncia foi apresentado enquanto a Câmara dos Deputados votava a abertura do processo de impeachment. A medida foi aprovada pelos 78 parlamentares presentes, inclusive por deputados do próprio partido de Peña.
Ao mesmo tempo, a Câmara rejeitou a abertura de impeachment contra o vice-presidente Pedro Alliana, de 52 anos, que poderá assumir o governo caso Peña deixe o cargo.
Segundo constitucionalistas e deputados ouvidos pela agência de notícias AFP, se a renúncia fosse aceita, Peña passaria a ter status de senador vitalício e teria imunidade parlamentar.
Na quinta-feira, o deputado opositor Raúl Benítez afirmou, ao apresentar a acusação, que “aqui foi montado um esquema criminoso que se dedicou a esvaziar um banco com a proteção de instituições que ele controlava como presidente da República”.
Em meio à crise, o ministro do Interior, Enrique Riera, também renunciou ao cargo.
Caso também virou investigação criminal
Peña, ex-ministro da Fazenda e presidente desde 2023, possuía ações de um grupo que controlava o Ueno Bank. Ele deixou essa participação em 2025.
A crise também levou à renúncia do presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
O governo aprovou uma lei estabelecendo prazo de até cinco dias úteis para devolver à maioria dos correntistas parte significativa dos recursos congelados.
A Justiça paraguaia também abriu uma investigação que resultou na prisão de oito diretores do banco.
Na quinta-feira, a Procuradoria-Geral do Paraguai anunciou ainda uma investigação penal contra Peña por “fatos relativos à supervisão e resolução do Ueno Bank S.A. e à colocação de fundos públicos nessa entidade”.
“O dano que estamos causando à economia não tem preço. Nenhum de vocês vai conseguir recuperar isso, em anos”, afirmou nesta sexta-feira o senador opositor Walter Kobylanski.
Crise chega à Argentina
Os efeitos da crise também atingiram a Argentina.
Cerca de 1.000 funcionários da empresa de tecnologia ITTI, pertencente ao mesmo grupo, foram suspensos por 30 dias sem salário.
“Através de um e-mail nos informam que vamos entrar em suspensão de atividades, sem recebimento de salário, por 30 dias”, disse o funcionário Mauricio Keorkis ao canal TN.
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