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Quem é Johan Manzambi, jovem suíço candidato à revelação da Copa do Mundo

Aos 20 anos, meio-campista do Freiburg deixou o banco de reservas e virou protagonista da Suíça

Foto: Reprodução/X

Johan Manzambi queria ser goleiro. Quando ainda dava os primeiros passos no futebol em Genebra, na Suíça, o jovem gostava da ideia de vestir luvas. O pai e o irmão, porém, enxergavam outra coisa. Havia talento demais com a bola nos pés para deixá-lo no gol. Anos depois, a decisão parece ter sido acertada. Aos […]

Johan Manzambi queria ser goleiro. Quando ainda dava os primeiros passos no futebol em Genebra, na Suíça, o jovem gostava da ideia de vestir luvas. O pai e o irmão, porém, enxergavam outra coisa. Havia talento demais com a bola nos pés para deixá-lo no gol. Anos depois, a decisão parece ter sido acertada.

Aos 20 anos, Manzambi se transformou em uma das grandes revelações da Copa do Mundo de 2026. O meio-campista começou o Mundial como reserva da Suíça, mas precisou de poucos minutos para mudar de patamar e assumir um papel central na equipe de Murat Yakin.

Com três gols e duas assistências na campanha suíça, o jogador do Freiburg chegou ao mata-mata como um dos jovens de maior destaque da competição. A ascensão, apesar de acelerada, começou muito antes da Copa.

De Genebra para o futebol alemão

Nascido em 14 de outubro de 2005, em Genebra, Manzambi é filho de pais com origens em Angola e na República Democrática do Congo. Começou a jogar futebol aos quatro anos e desenvolveu boa parte de sua formação no Servette, tradicional clube suíço.

Em janeiro de 2023, aos 17 anos, deixou o país natal para seguir a carreira no Freiburg, da Alemanha. Primeiro, passou pelas categorias de base. Depois, chegou à equipe B e foi ganhando espaço até receber uma oportunidade no time principal.

A estreia na Bundesliga aconteceu em setembro de 2024, quando tinha 18 anos. Na reta final daquela temporada, dois gols e uma assistência em uma sequência de seis partidas ajudaram a confirmar que o Freiburg tinha uma nova promessa nas mãos.

O salto definitivo veio em 2025/26. Manzambi tornou-se peça importante do clube alemão e participou de toda a campanha do Freiburg na Liga Europa. Foram 15 partidas na competição continental, com dois gols e duas assistências.

Um dos momentos mais importantes aconteceu na semifinal contra o Braga. No jogo de volta, o suíço marcou um belo gol, ajudando o Freiburg a alcançar sua primeira final europeia.

Ao fim do torneio, a Uefa escolheu Manzambi como a Revelação da Temporada da Liga Europa 2025/26. O prêmio reconhece jogadores de até 21 anos que tiveram impacto e evolução significativos ao longo da competição.

A resposta sobre sua posição é simples: quase todas

Definir Johan Manzambi apenas como meio-campista ajuda pouco a explicar seu estilo de jogo.

Com 1,82 metro, força física e velocidade, o suíço pode atuar em praticamente todas as funções do meio. Já apareceu como volante, segundo homem do setor, armador e aberto pelos lados.

O próprio jogador se define como um meio-campista “box-to-box”, expressão utilizada para atletas capazes de percorrer o campo e participar tanto da construção defensiva quanto do ataque.

“Fundamentalmente, sou um meio-campista box-to-box, mas acho que posso jogar pela ponta e como armador”, afirmou Manzambi em entrevista divulgada pela Bundesliga.

Na Suíça, Murat Yakin encontrou outra maneira de aproveitar essa versatilidade. Durante a Copa, Manzambi passou a atuar mais próximo de Breel Embolo, com liberdade para aparecer atrás do centroavante e se deslocar pelos lados do campo.

É justamente a liberdade uma das chaves para entender seu futebol.

Após uma das atuações de destaque do jovem no Mundial, Yakin explicou que Manzambi é um jogador formado com características do futebol de rua e que precisa ter espaço para criar. Pressão, drible e chegada à área fazem parte do repertório do suíço.

Três minutos para mudar um jogo

Manzambi chegou ao Mundial como uma opção para o banco de reservas. Jogou poucos minutos na estreia da Suíça e começou novamente entre os suplentes contra a Bósnia e Herzegovina.

Quando entrou em campo, aos 71 minutos, o placar ainda estava empatado em 0 a 0. Três minutos depois, fez o primeiro gol.

Ele ainda participou do lance que terminou na expulsão de Tarik Muharemović e voltou a marcar nos minutos finais. A Suíça, que encontrava dificuldades até a entrada do jovem, venceu por 4 a 1. A noite colocou seu nome na história.

Manzambi tornou-se o jogador mais jovem da Suíça a marcar em uma Copa do Mundo desde 1950. Também foi o primeiro suíço a marcar duas vezes saindo do banco em uma partida do Mundial e o mais jovem do país a conseguir dois gols em um mesmo jogo de Copa. Horas depois, ainda sorrindo, tentava entender o que havia acontecido.

“É um sonho sendo realizado jogar uma Copa do Mundo, marcar gols e ser o melhor em campo. Não vou dormir esta noite”, disse à Fifa.

Antes do torneio, Manzambi havia estabelecido uma meta modesta: conseguir pelo menos uma assistência. Mas carregava outro objetivo. “Meu objetivo sempre foi marcar dois gols na Copa do Mundo. E eu já fiz isso. Espero que venham mais por aí”, afirmou.

De reserva a protagonista da Suíça

Na terceira rodada da fase de grupos, contra o Canadá, Manzambi participou diretamente dos dois gols da vitória suíça por 2 a 1.

Primeiro, serviu Ruben Vargas. Depois, apareceu para marcar o segundo. A vitória garantiu à Suíça a liderança do Grupo B e consolidou o jovem entre os principais nomes da equipe na competição.

Nos 16 avos de final, contra a Argélia, voltou a participar de um gol. Manzambi iniciou uma arrancada antes da jogada que terminou com Embolo balançando as redes na vitória por 2 a 0.

O jogador que desembarcou na Copa como uma alternativa ofensiva passou a ocupar espaço central nos planos de Murat Yakin. 

O goleiro que nunca existiu

Ainda é cedo para saber até onde Johan Manzambi pode chegar. Aos 20 anos, o suíço está apenas em sua segunda temporada completa no futebol profissional. Mas já fez demais, tudo isso porque, anos atrás, o pai e o irmão olharam para aquele garoto de Genebra e chegaram a uma conclusão. Ele podia até querer ser goleiro, mas havia elegância demais com a bola nos pés para ser desperdiçada debaixo das traves.

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