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Aos 39, Messi participa de quase dois em cada três gols da Argentina na Copa

Camisa 10 mantém peso ofensivo muito próximo ao da campanha do título mundial no Catar em 2022

Foto: Divulgação/Fifa

A Argentina mudou peças, renovou parte do elenco e chegou à Copa do Mundo de 2026 com 17 campeões mundiais de 2022 entre os convocados. Uma coisa, porém, continua praticamente igual: quando a seleção precisa decidir, Lionel Messi segue concentrando boa parte da produção ofensiva da equipe. Aos 39 anos, o camisa 10 tem oito […]

A Argentina mudou peças, renovou parte do elenco e chegou à Copa do Mundo de 2026 com 17 campeões mundiais de 2022 entre os convocados. Uma coisa, porém, continua praticamente igual: quando a seleção precisa decidir, Lionel Messi segue concentrando boa parte da produção ofensiva da equipe.

Aos 39 anos, o camisa 10 tem oito gols e uma assistência em cinco partidas neste Mundial. São nove participações diretas nos 14 gols marcados pela Argentina até as quartas de final. Em outras palavras, Messi participou oficialmente de 64% dos gols argentinos na Copa de 2026.

O número impressiona. Mas talvez chame ainda mais atenção quando colocado ao lado da campanha do título de 2022.

No Catar, Messi terminou com sete gols e três assistências. Participou diretamente de dez dos 15 gols argentinos naquela Copa: 66,7% de toda a produção ofensiva da seleção campeã. Os dados de gols e assistências registrados pela ESPN e pela Fifa colocam o camisa 10 com dez participações diretas naquela campanha.

Quatro anos depois, o percentual caiu pouco mais de dois pontos.

2022: 66,7%.
2026: 64,3%.

A Messidependência, pelo menos nos números, quase não envelheceu.

Foto: Divulgação/Fifa

Messi marcou todos os cinco primeiros gols da Argentina na Copa

A Copa de 2026 começou quase como uma apresentação individual. Messi fez os três gols da vitória por 3 a 0 sobre a Argélia e marcou novamente duas vezes no triunfo por 2 a 0 diante da Áustria. Depois de duas rodadas, a Argentina tinha cinco gols. Todos eram dele.

Contra a Jordânia, mesmo começando no banco, voltou a marcar na vitória por 3 a 1. Diante de Cabo Verde, abriu o placar no triunfo dramático por 3 a 2. A Reuters registra ainda que o gol decisivo, contra de Diney Borges, nasceu de um escanteio cobrado pelo camisa 10, embora as estatísticas oficiais de assistência consultadas pela ESPN não atribuam o passe decisivo a Messi.

Foto: Divulgação/Fifa

Nas oitavas, contra o Egito, a dependência voltou a aparecer no momento mais delicado.

A Argentina perdia por 2 a 0 até os 34 minutos do segundo tempo e caminhava para a eliminação. Messi cobrou a falta que terminou no gol de Cristian Romero e, quatro minutos depois, marcou o empate. Enzo Fernández completou a virada por 3 a 2 nos acréscimos, após assistência de Lautaro Martínez.

Messi terminou novamente com um gol e uma assistência. A Argentina sobreviveu.

Jogador Gols Assistências Participações
Lionel Messi 8 1 9
Julián Álvarez 0 0 0
Lautaro Martínez 1 1 2
Lisandro Martínez 1 1 2
Enzo Fernández 1 0 1
Cristian Romero 1 0 1
Giovani Lo Celso 1 0 1
Alexis Mac Allister 0 1 1
Rodrigo De Paul 0 1 1
Facundo Medina 0 1 1
Nico González 0 1 1
Gonzalo Montiel 0 1 1

O contraste é especialmente forte com Julián Álvarez. Um dos protagonistas ofensivos do título de 2022, o atacante disputou os cinco jogos desta Copa até aqui, mas ainda não marcou nem deu assistência.

Em 2022, Julián dividiu parte do peso com Messi

Na Copa do Catar, Messi também era o centro de tudo. Mas havia um segundo nome com números ofensivos muito mais expressivos: Julián Álvarez.

O atacante marcou quatro gols. Messi teve sete gols e três assistências. Enzo Fernández, Nahuel Molina, Alexis Mac Allister e Ángel Di María terminaram com duas participações diretas cada.

Jogador Gols Assistências Participações
Lionel Messi 7 3 10
Julián Álvarez 4 0 4
Enzo Fernández 1 1 2
Nahuel Molina 1 1 2
Alexis Mac Allister 1 1 2
Ángel Di María 1 1 2
Nicolás Otamendi 0 1 1
Alejandro Gómez 0 1 1

Os 15 gols da Argentina naquela campanha tiveram seis autores diferentes. Em 2026, excluindo o gol contra de Cabo Verde, também são seis argentinos diferentes balançando as redes. A diferença está na concentração: Messi já marcou oito dos 14 gols da seleção neste Mundial. Sozinho, é responsável por 57% dos gols argentinos.

Em 2022, o camisa 10 havia marcado sete dos 15: 46,7%.

Ou seja, a Argentina de 2026 tem mais jogadores oferecendo assistências, mas está ainda mais concentrada em Messi na hora de colocar a bola na rede.

A Argentina aprendeu a jogar para Messi

A palavra “Messidependência” já foi usada durante anos quase como uma crítica à seleção argentina. Representava a ideia de uma equipe incapaz de funcionar quando o camisa 10 não resolvia.

A Argentina campeã de Lionel Scaloni mudou parte dessa percepção. Em 2022, Julián Álvarez marcou quatro vezes, Di María decidiu a final, Enzo Fernández apareceu, Mac Allister cresceu e a defesa também participou de gols importantes. Mesmo assim, Messi esteve diretamente envolvido em dois de cada três gols da campanha.

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Foto: Creative Commons

Em 2026, a história se repete com uma diferença: o protagonista está quatro anos mais velho e ainda mais dominante como finalizador.

Messi fez hat-trick contra a Argélia. Marcou os dois contra a Áustria. Saiu do banco e fez diante da Jordânia. Abriu o placar contra Cabo Verde. Quando a Argentina estava a minutos de ser eliminada pelo Egito, deu uma assistência e marcou o gol do empate.

A seleção tem Enzo. Tem Mac Allister. Tem Lautaro. Tem Julián Álvarez. Tem uma base campeã mundial.

Mas os números deixam uma conclusão difícil de escapar: quatro anos depois do título no Catar, a Argentina continua vivendo ofensivamente ao redor do mesmo camisa 10.

A diferença é que, até agora, depender de Lionel Messi continua funcionando.

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