Erling Haaland caminha. E faz gols. O dado que mais resume a singularidade do centroavante norueguês se repetiu na vitória sobre o Brasil, nas oitavas de final da Copa do Mundo: o camisa 9 percorreu cerca de nove quilômetros durante o jogo, mas 84% dessa distância foi andando. O percentual impressiona quando comparado aos outros […]
Erling Haaland caminha. E faz gols. O dado que mais resume a singularidade do centroavante norueguês se repetiu na vitória sobre o Brasil, nas oitavas de final da Copa do Mundo: o camisa 9 percorreu cerca de nove quilômetros durante o jogo, mas 84% dessa distância foi andando.
O percentual impressiona quando comparado aos outros candidatos à artilharia da Copa. Messi, conhecido por administrar esforço, percorre 6,6 km por partida com 62% de caminhada, bem abaixo dos 84% do norueguês. Kane roda 11 km por jogo, e Mbappé vive de arrancadas, liderando o ranking de velocidade da Copa com 37,6 km/h. Haaland faz o caminho inverso de todos: reduz o ritmo ao mínimo e transforma economia de energia em método.
E o método funciona. Com sete gols em 18 finalizações, o atacante tem 39% de aproveitamento, a melhor taxa de conversão em uma Copa do Mundo desde Gary Lineker, em 1986. Os sete gols em sua primeira participação no torneio superam, sozinhos, a soma das estreias de Messi (1), Cristiano Ronaldo (1) e Mbappé (4) em Mundiais.
A cada jogo fica mais claro que a caminhada não é preguiça, é estratégia. Em vez de pressionar a saída de bola ou participar da construção, Haaland anda para estudar a movimentação dos zagueiros e escolher o instante exato de atacar o espaço. O primeiro gol contra o Brasil ilustra o mecanismo: ele iniciou o lance caminhando e acelerou apenas no momento decisivo, deixando Gabriel Magalhães para trás.
A Inglaterra que se prepare: nas quartas de final, neste sábado, às 18h, em Miami, o homem que anda 84% do jogo estará pronto para atacar nos outros 16%.
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