A semifinal entre Argentina e Inglaterra, na quarta-feira (15), às 16h, em Atlanta, é muito mais que uma disputa por vaga na final da Copa do Mundo. É o reencontro de uma das rivalidades mais carregadas do futebol mundial, uma disputa que mistura geopolítica, ressentimento histórico e alguns dos lances mais famosos que o futebol […]
A semifinal entre Argentina e Inglaterra, na quarta-feira (15), às 16h, em Atlanta, é muito mais que uma disputa por vaga na final da Copa do Mundo. É o reencontro de uma das rivalidades mais carregadas do futebol mundial, uma disputa que mistura geopolítica, ressentimento histórico e alguns dos lances mais famosos que o futebol já produziu.
Origem na guerra
A origem está fora dos gramados. Em 1982, Argentina e Reino Unido travaram a Guerra das Malvinas, conflito de três meses pelo controle do arquipélago no Atlântico Sul que deixou 649 militares argentinos mortos, além de 255 britânicos e três moradores. A vitória britânica manteve o território sob controle do Reino Unido, mas a ferida jamais cicatrizou do lado sul-americano: “Las Malvinas son argentinas” segue sendo, até hoje, um pilar da identidade e da soberania do país.
La mano de Dios e o gol do século
Quatro anos depois, o futebol deu à Argentina a revanche que a guerra negou. No Estádio Azteca, diante de 114.580 pessoas na Cidade do México, Maradona protagonizou os 90 minutos mais simbólicos da rivalidade e, talvez, da história das Copas. Primeiro, abriu o placar com a mão, no lance eternizado como “La Mano de Dios”. Depois, driblou meio time inglês para marcar o que seria eleito o gol do século. A Argentina, recém-saída de uma ditadura e ainda de luto pela guerra, venceu por 2 a 1 e seguiu até o título. Maradona resumiu o espírito daquele dia sem rodeios: “Foi como se tivesse roubado a carteira de um inglês”.
Retrospecto em Copas
Dentro de campo, o retrospecto geral em Copas tem leve vantagem inglesa: três vitórias (1962, 1966 e 2002), contra uma argentina e um empate no tempo normal. Mas no mata-mata, onde a rivalidade pega fogo, o domínio é sul-americano. Além de 1986, a Argentina eliminou a Inglaterra nos pênaltis em 1998, após um agitado 2 a 2. Aos ingleses restou apenas o 1 a 0 nas quartas de 1966, a caminho de seu único título.
Agora, 40 anos depois do Azteca, o clássico ganha novo capítulo com enredo à altura. De um lado, a Argentina de Messi defende o título de 2022. Do outro, a Inglaterra de Kane e Bellingham busca sua primeira final em 60 anos. A história diz que, quando esses dois se encontram em mata-mata de Copa, grandes coisas acontecem.
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