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De ponta a camisa 9: como Mbappé mudou de função em cada Copa

Francês explodiu pela direita em 2018, se firmou pela esquerda em 2022 e chega a 2026 como referência de ataque

Foto: Creative Commons

Kylian Mbappé chegou à terceira Copa do Mundo da carreira com uma transformação clara. O jogador que apareceu em 2018 como uma flecha pela ponta direita, amadureceu em 2022 como protagonista pela esquerda e, em 2026, virou referência central do ataque francês. A mudança de função ajuda a explicar a evolução dos números. Aos 27 […]

Kylian Mbappé chegou à terceira Copa do Mundo da carreira com uma transformação clara. O jogador que apareceu em 2018 como uma flecha pela ponta direita, amadureceu em 2022 como protagonista pela esquerda e, em 2026, virou referência central do ataque francês.

A mudança de função ajuda a explicar a evolução dos números. Aos 27 anos, Mbappé já soma 20 gols em 20 jogos de Copa do Mundo. Ele fez quatro gols em 2018, oito em 2022 e já tem oito em 2026, antes da semifinal contra a Espanha.

Mbappé foi campeão como jovem acelerador, vice como estrela absoluta e chega à reta final de 2026 como um atacante mais completo, menos preso à faixa lateral e mais próximo do gol.

2018: a explosão pela direita

Na Copa de 2018, Mbappé ainda era o fenômeno em formação. Tinha 19 anos, jogava com liberdade para atacar espaços e era usado por Didier Deschamps principalmente pelo lado direito, em um sistema que ganhou equilíbrio com Blaise Matuidi fechando o lado esquerdo. Na época, a função defensiva de Matuidi pela esquerda permitia à França escalar Mbappé como atacante mais agressivo pela direita.

O papel era claro: acelerar em transição, atacar o espaço nas costas do lateral e transformar recuperações defensivas em chances de gol. Foi assim que destruiu a Argentina nas oitavas, em uma das atuações mais marcantes daquela Copa.

MOSCOW, RUSSIA JULY 15, 2018: France s Kylian Mbappe celebrate victory in the 2018 FIFA World Cup WM Weltmeisterschaft Fussball Final match between France and Croatia at Luzhniki Stadium. PUBLICATIONxNOTxINxRUS

Foto: Divulgação/Fifa

Quatro gols, título mundial e prêmio de melhor jogador jovem do torneio. Ele marcou contra Peru, Argentina, duas vezes, e Croácia, na final. Mbappé também se tornou o primeiro adolescente desde Pelé a fazer gol em uma final de Copa.

Naquela versão, Mbappé era mais ponta do que centroavante. Recebia aberto, usava o campo para correr e vivia do duelo físico contra laterais. A França não precisava que ele organizasse o ataque.

2022: o dono da esquerda

Quatro anos depois, no Catar, Mbappé já era outro jogador. A França ainda tinha Olivier Giroud como referência e Antoine Griezmann como articulador, mas sua atuação ofensiva passou a ser pelo lado esquerdo.

Em 2022, Mbappé virou a principal saída francesa. Ficava alto pela esquerda, esperava a transição e recebia para conduzir de fora para dentro.

Essa foi a Copa da consolidação individual. Mbappé terminou como artilheiro, com oito gols e duas assistências, vencendo a Chuteira de Ouro. Na final contra a Argentina, marcou três vezes e levou a decisão para os pênaltis quase sozinho.

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Foto: Creative Commons

A diferença para 2018 estava na responsabilidade. Mbappé deixou de ser apenas o jovem que atacava o espaço. Em 2022, era o jogador que a França procurava quando o jogo travava. Podia acelerar, finalizar, atrair marcação dupla e abrir corredor para Theo Hernández.

Mesmo partindo da ponta, já era um atacante com instinto de artilheiro. Entrava na área com frequência e aparecia em zonas de finalização como um camisa 9.

2026: a referência do ataque

Em 2026, a transformação ficou ainda mais evidente. Mbappé chega à semifinal contra a Espanha com oito gols e três assistências, empatado com Messi na artilharia da Copa e no topo das participações diretas em gol do torneio.

Agora, a França usa Mbappé como referência mais central. Contra o Marrocos, por exemplo, ele foi o capitão e apareceu na linha ofensiva ao lado de Ousmane Dembélé, com Michael Olise e Désiré Doué por trás.

VICIADO EM FAZER GOL

Foto: Divulgação/Fifa

O papel é parecido com o que ele passou a exercer no Real Madrid. Quando chegou ao clube espanhol, a tendência já era clara: Vinicius Junior ocupava o lado esquerdo, Rodrygo aparecia pela direita e Mbappé seria empurrado para a faixa central.

Na seleção, essa mudança deixou Mbappé mais perto da área e mais decisivo em volume. Ele ainda pode cair pela esquerda, arrancar em velocidade e atacar o espaço, mas já não depende de começar todas as jogadas aberto. Recebe entre zagueiros, ataca a última linha, bate pênaltis, finaliza de primeira e também serve os companheiros.

Três Copas, três versões

Em 2018, era o ponta direita de ruptura. A França defendia em bloco, recuperava e o acionava em velocidade. O jogo dele era campo aberto, condução longa e explosão.

Em 2022, virou o ponta esquerda dominante. Recebia mais bolas, decidia mais jogadas e passou a ser o principal plano ofensivo da equipe.

Em 2026, se tornou referência. Não perdeu a velocidade, mas ganhou presença de área. A França já olha para Mbappé como centro da estrutura ofensiva, não apenas como válvula de escape.

FUSSBALL WM 2018 FINALE ------- Frankreich - Kroatien 15.07.2018 JUBEL Weltmeister Frankreich; Kylian Mbappe kuesst den Pokal *** FIFA World Cup 2018 FINALE France Croatia 15 07 2018 JUBEL World Champion France Kylian Mbappe kisses the trophy PUBLICATIONxNOTxINxAUTxSUIxITA

Foto: Divulgação/Fifa

O resultado é histórico. Com 20 gols em Copas, ele já está no topo da corrida pelos maiores artilheiros da competição e ainda tem, no mínimo, uma semifinal pela frente. Se em 2018 Mbappé era promessa, em 2022 virou estrela. Em 2026, joga como alguém que tenta transformar o próprio nome em sinônimo de Copa do Mundo.

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