A nova avaliação do Environmental Investigation Agency (EIA) aponta que grandes volumes de madeira de teca de Mianmar continuam entrando nos Estados Unidos, mesmo com sanções aplicadas ao monopólio estatal da indústria florestal. O relatório cobre o período desde o golpe de 2021.
Segundo o documento, traders norte-americanos importaram mais de 3 mil toneladas métricas de teca de Mianmar nos últimos dois anos, sustendo o fluxo mesmo após as medidas sancionatórias contra o governo militar. A EIA afirma que as sanções não tiveram impacto relevante no comércio.
O relatório lista 12 empresas com atuação nos EUA que importaram teca de Mianmar desde o golpe de 2021; duas delas respondem por 88% das importações, somando cerca de 1,6 mil toneladas. A organização informou as identidades às autoridades dos EUA em dezembro de 2022 para possível apuração.
Contexto e impactos
O documento lembra que a teca de Mianmar é uma das madeiras de mais alta qualidade, com demanda internacional elevada e impacto potencial sobre a biodiversidade local. O país perdeu dezenas de milhares de hectares de área florestal entre 2001 e 2018, e a EIA projeta o esgotamento de florestas remanescentes até 2035 se as tendências atuais persistirem.
A EIA aponta que a falta de transparência nas atividades da MTE, sob controle militar, dificulta rastrear a proveniência e a legalidade das madeiras vendidas em leilões. A organização enfatiza que pode haver mistura de madeira legal com madeira de origem duvidosa, dificultando conformidade com a Lei Lacey dos EUA.
Ação e resposta
O relatório recomenda investigação e responsabilização daqueles que continuam a importar teca de Mianmar, além de reforçar controles na entrada de madeira no país. Uma força-tarefa criada em 2023 pelo Departamento de Justiça dos EUA é citada como possível instrumento de atuação.
O EIA reforça que a continuidade do comércio representa apoio ao regime militar, com impactos sobre direitos humanos e receitas de recursos naturais. A organização destaca a necessidade de atuação firme do governo americano para coibir o comércio de madeira de origem questionável.
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