O aumento da caça e do comércio ilegal de vida silvestre ocorre em áreas ocupadas pelo grupo M23 no Parque Nacional de Virunga, na parte oriental da República Democrática do Congo. A escalada de conflitos com as Forças Armadas da RDC e milícias locais favorece a caça furtiva e a depredação de habitats.
Segundo autoridades do parque, a crise de segurança se intensificou desde 2024 e afeta postos de patrulha. Eco-guardas tiveram que deixar áreas estratégicas, incluindo Rwindi, Vitshumbi e Nyamusengera, sob pressão de forças armadas e do M23. Rumangabo permanece sob vigilância.
Em março de 2025, um jovem gorila foi encontrado em uma armadilha de caçadores. Equipes de monitoramento e veterinários realizaram atendimento de emergência, com remoção da armadilha e tratamento de ferimentos. A situação alarma a conservação na região.
Conflitos e insegurança também impactam a proteção de espécies no parque. Relatos indicam migração de gorilas para áreas vizinhas, como o Lago Eyasi, e reduzida monitorização em vários postos de patrulha. A equipe de relações externas do parque afirma que os combates reduziram áreas sob vigilância.
Alguns moradores participam de atividades ilegais em meio ao clima de insegurança, frequentemente com apoio de grupos armados. Um relatório de ONG de 2023 aponta diminuição de ecossistemas ao redor de Mabenga, com armadilhas em locais como Kanyabingo e Rukubura, colocando em risco várias espécies, incluindo gorilas e elefantes.
As autoridades locais defendem que, apesar da pressão, o parque ainda não perdeu todas as espécies. Contudo, reconhecem queda no número geral de animais e chamam a atenção para a necessidade de proteção contínua. O monitoramento permanece desafiado pela presença de grupos armados.
Para enfrentar o desafio, o parque criou uma rede de 110 observadores comunitários, atuando junto aos guardas, para apoiar a conservação. Em 2024, foram registrados 10 nascimentos de gorilas, elevando a população total para mais de 1.000 indivíduos, com cerca de um terço dentro do parque.
Ligações entre civis e grupos armados são citadas como facilitadoras da caça ilegal. Em áreas sob controle do M23, há relatos de venda de carne de caça e de terras, além de destruição de proteções físicas do parque. Observatórios destacam a vulnerabilidade de comunidades locais.
Especialistas discutem ajustes legais para a proteção de recursos naturais em tempos de conflito. Propostas incluem reforçar normas de conservação de 1907 a 1949, bem como a Lei 14/003 de proteção ambiental, com salvaguardas ao pessoal de fiscalização, independentemente do estado de conflito.
Estudos indicam que a alta demanda por recursos naturais no leste do país impulsiona a crise. Pesquisas sugerem modernizar políticas públicas para gestão participativa entre o Estado e atores locais, com maior capacidade de resposta a ameaças à biodiversidade.
Panorama global aponta que o tráfico de vida selvagem se tornou mais complexo, motivado por consumo, medicina e comércio de partes. Entre 2015 e 2021, milhares de espécies foram afetadas, segundo relatórios internacionais.
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