O relatório da Wildlife Justice Commission (WJC) aponta uma queda acentuada no tráfico de escamas de pangolim e de marfim de elefante desde a pandemia de COVID-19. Entre 2015 e 2024, autoridades apreenderam mais de 370 toneladas métricas de escamas de pangolim e 193 toneladas de marfim. As apreensões começaram a aumentar em 2015, atingiram o pico em 2019 e caíram rapidamente em 2020, após restrições de viagem e interrupções de comércio.
Segundo a WJC, o peso total apreendido reflete mudanças na atividade criminosa, com maior enforcement baseado em inteligência. No período pós-pandemia, a tendência de queda se manteve, à medida que países fortalecem a aplicação da lei e a coleta de informações. A organização ressalta que o recuo não significa automaticamente uma redução do comércio ilegal, apenas que as prisões representam uma fração menor do tráfico existente.
Contexto global e impactos
O documento destaca que, em 2015, as apreensões de marfim eram maiores do que as de pangolim. Em 2019, o volume de escamas de pangolim quase atingiu 100 toneladas, enquanto o marfim sofreu um pico de mais de 40 toneladas. Em 2020, as apreensões caíram para menos de 10 toneladas de marfim e cerca de 20 de pangolim, indicando mudança na dinâmica de mercado e na logística criminosa.
Participantes e impactos locais
Especialistas afirmam que a redução pode refletir o declínio de populações de pangolim, dificultando monitoramento científico. Além disso, quedas de preço para pangolim e marfim desde 2017 e a queda do valor de mercado do marfim contribuíram para desincentivar operações de grande escala. Ainda assim, redes de tráfico continuam ativas, com adaptação a novas rotas e métodos de ocultação.
Hotspots e ações governamentais
A Nigeria é apontada como núcleo de exportação para ambos os produtos, com seções políticas e operacionais fortalecidas desde 2022. O país implementou uma estratégia nacional de combate ao crime contra a vida selvagem, além de cooperações com a WJC e organizações como a EIA para inteligência e prisões. Camarões, RDC e Uganda aparecem entre os principais países de origem de escamas de pangolim, enquanto Angola e Moçambique ganham relevância como trajetórias de tráfico de marfim.
Medidas recomendadas
O relatório recomenda aprofundar investigações de longo prazo para mapear redes organizadas, aumentar parcerias público-privadas e priorizar crimes contra a vida selvagem. A cooperação entre países e o compartilhamento de inteligência são vistos como fundamentais, assim como ações para reduzir a demanda, inclinar o mercado e endurecer a fiscalização financeira das redes criminosas.
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