O governo sueco apresentou, nesta semana, o primeiro Cânone Cultural do país, que reúne 100 obras e fenômenos que moldaram a identidade cultural da Suécia. A iniciativa, proposta pelo partido de direita Democratas Suecos, gerou polêmica, especialmente em relação a omissões e inclusões controversas, como o caça Saab Viggen.
Entre as obras destacadas estão clássicos como “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman, e “Pippi Meialonga”, de Astrid Lindgren. No entanto, a ausência de ícones como Abba e as tradicionais almôndegas suecas geraram críticas. O editor de cultura do jornal Dagens Nyheter, Björn Wiman, expressou surpresa com a lista, afirmando que a exclusão do Abba é “ridícula”, uma vez que suas contribuições são inegáveis.
A lista foi elaborada por um painel de acadêmicos, mas também contou com sugestões do público, que resultaram em mais de 9.500 submissões. Muitas dessas sugestões refletiram a diversidade contemporânea da Suécia, incluindo itens como pizza de kebab e músicas de rap. O historiador Lars Trägårdh, responsável pelo projeto, defendeu a autonomia do painel, afirmando que as escolhas foram feitas sem interferência política.
A inclusão do caça Saab Viggen foi criticada por sua associação com a militarização, levando a comentários de que isso não representa os valores pacifistas da Suécia. A presidente da Sociedade Sueca de Paz e Arbitragem, Kerstin Bergea, considerou a inclusão “algo que um Estado autoritário faria”.
O debate sobre o que constitui a cultura sueca continua, com defensores do cânone argumentando que ele promove o orgulho cívico e ajuda na integração de imigrantes. Contudo, críticos alertam que a lista pode reforçar uma visão limitada da identidade nacional, excluindo vozes e experiências de minorias.
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