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Explosões em instalação militar deixam dois mortos e mais de 80 feridos na Bolívia

Casas foram atingidas pelos escombros e uma densa coluna de fumaça se formou em cidade a 30 km da capital, La Paz

Vista aérea da instalação militar em que duas explosões deixaram mortos e feridos na Bolívia 
Vista aérea da instalação militar em que duas explosões deixaram mortos e feridos na Bolívia (Crédito: Aizar Raldes/AFP)
Duas fortes explosões em uma instalação militar da Bolívia, onde era armazenado material pirotécnico, deixaram pelo menos dois mortos e 81 feridos em uma cidade ao sul de La Paz na sexta-feira (4), segundo um balanço do Ministério da Defesa.As detonações ocorreram por volta das 14h30 locais (15h30 no horário de Brasília) no Regimento Bolívar, na localidade de Viacha, 30 quilômetros ao sudoeste de La Paz, a sede do governo.

“Catorze militares que estavam no setor afetado pelas duas explosões registradas no centro militar de Viacha não foram localizados até o momento”, afirmou em um comunicado o coronel Antonio Amaru, comandante do Regimento Bolívar.

Um primeiro relatório do governo havia mencionado sete desaparecidos e agora este número foi fixado em 14. Trata-se de um sargento, funcionário das Forças Armadas, e 13 recrutas de 18 e 19 anos que cumprem um ano de serviço militar obrigatório.

O coronel Amaru afirmou que “os trabalhos de busca, resgate e remoção de escombros continuam na área afetada”.

Casas com janelas destruídas, escombros lançados pelos ares e uma densa coluna de fumaça preta que se elevava no meio da cidade: as cenas ficaram registradas em vídeos feitos por moradores e divulgados pela imprensa local.

Nos arredores do recinto militar, dezenas de policiais bloquearam a passagem de pedestres e da imprensa, constatou um colaborador da AFP.

“Até o momento, temos duas pessoas mortas confirmadas”, afirmou o ministro da Defesa, Ernesto Justiniano, em coletiva de imprensa.

Os mortos e os desaparecidos são militares que servem na instalação, confirmou a instituição em um comunicado posterior.

“Temos, ainda, 81 pessoas registradas como feridas, duas delas em estado grave”, acrescentou Justiniano.

Moradores da região foram levados para um abrigo temporário. Segundo o ministro, “ainda não é prudente” que retornem às suas casas, pois “há moradias afetadas pela onda de choque”. O fornecimento de energia elétrica também foi interrompido na área impactada.

“O incidente está sob controle”, assegurou o coronel Roger Roca, porta-voz da polícia. Bombeiros trabalhavam com caminhões-pipa no local para reduzir os focos de calor, segundo imagens divulgadas por meios locais.

Investigação e material pirotécnico

O presidente Rodrigo Paz manifestou sua “profunda solidariedade às famílias das pessoas falecidas, aos que ficaram feridos e a todos os moradores afetados pelas explosões”.

“Também determinei a realização de uma investigação minuciosa, técnica e transparente sobre o ocorrido. Devemos estabelecer com absoluta clareza as causas deste fato, verificar o cumprimento dos protocolos de segurança e determinar as responsabilidades correspondentes”, disse Paz no X.

O ministro da Defesa detalhou que houve duas explosões. “A primeira teria envolvido pólvora negra, correspondente a material pirotécnico armazenado no local”.

“Posteriormente, ocorreu uma segunda detonação de magnitude muito maior”, cuja causa e o material que explodiu ainda “estão sendo determinados”, explicou.No entanto, o Ministério da Defesa elucidou em um comunicado que nenhum tipo de armamento bélico foi detonado.A instituição também informou que o Ministério Público, que enviou agentes ao local, abriu uma investigação penal por “homicídio culposo, lesões culposas e outros estragos”.

“Neste momento, nossa prioridade são as pessoas: atender os feridos, acompanhar suas famílias e continuar os trabalhos de busca e verificação”, acrescentou Justiniano.

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