A República Democrática do Congo (RDC) denunciou a União Europeia (UE) por manter um acordo de minerais com Ruanda, caracterizando essa ação como um “óbvio duplo padrão”. A crítica surge em meio a sanções severas impostas à Rússia devido à guerra na Ucrânia. A ministra das Relações Exteriores da RDC, Thérèse Kayikwamba Wagner, pediu sanções mais rigorosas contra Ruanda, alegando que a resposta da UE é insuficiente diante das violações de território congolês.
O acordo de paz entre a RDC e Ruanda, mediado pelos EUA e Catar em junho, visava acabar com o conflito que se intensificou com a atuação do grupo rebelde M23, apoiado por Ruanda. Apesar do acordo, a violência persiste, com ataques a civis e a não implementação de um acordo definitivo até agosto. A ministra destacou que Rwanda tem desviado recursos da RDC, extraídos sob condições brutais, incluindo trabalho forçado de crianças.
Críticas à Resposta da UE
Wagner enfatizou que o acordo de minerais com Ruanda carece de credibilidade, considerando as evidências de que o país está se beneficiando de recursos congolenses. Em sua visão, a UE deve decidir se suspenderá ou anulará o acordo, já que a inação é “provavelmente a resposta menos construtiva”. O conflito no leste da RDC continua a ser uma das crises humanitárias mais severas do mundo, com mais de 7,8 milhões de pessoas deslocadas e 28 milhões enfrentando insegurança alimentar.
A ministra também fez comparações entre a situação da RDC e a invasão da Ucrânia, questionando a hesitação da UE em agir em relação ao que acontece na RDC. O presidente congolês, Félix Tshisekedi, pediu ao presidente ruandense, Paul Kagame, que cesse o apoio ao M23, mas recebeu uma resposta negativa, com Kigali afirmando que Tshisekedi está “completamente enganado” sobre a origem do conflito.
A RDC continua a ser um ponto focal de interesse geopolítico, especialmente em relação a seus vastos recursos naturais, enquanto a comunidade internacional observa atentamente os desdobramentos da situação.
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