Organizações civis e movimentos sociais estão promovendo eventos paralelos à Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP 30), marcada para ocorrer em Belém do Pará entre 10 e 21 de novembro de 2025. A iniciativa surge em resposta aos altos preços das hospedagens, que dificultam a participação de delegações. Em agosto, 90% das delegações ainda não haviam conseguido garantir acomodações.
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) anunciou um acampamento em Belém e eventos em São Paulo, visando evitar as diárias elevadas. A expectativa é que cerca de 20 mil pessoas participem da “Cúpula dos Povos”, que ocorrerá entre 12 e 16 de novembro, com um acampamento para 3 mil indígenas na Escola de Aplicação da UFPA.
Ação do Governo e Críticas
O governo federal contratou navios de luxo para aumentar a capacidade de hospedagem, adicionando pelo menos 6 mil leitos à rede hoteleira local, o que deve custar aproximadamente R$ 260 milhões. No entanto, essa estratégia tem sido alvo de críticas, pois muitos consideram que a COP 30 pode se tornar a menos inclusiva, afastando as vozes mais afetadas pelas mudanças climáticas.
Analistas apontam que a participação limitada de organizações não-governamentais e movimentos sociais pode frustrar os esforços do governo em ampliar o debate ambiental. O advogado ambiental Antônio Fernando Pinheiro Pedro destacou que a conferência carrega a promessa de dar voz aos países vulneráveis, mas a falta de acomodações acessíveis pode inviabilizar essa proposta.
Mobilização e Propostas
Além do acampamento em Belém, o MST planeja assembleias populares simultâneas em diversas capitais durante a COP30. A proposta visa garantir que as vozes da população sejam ouvidas, em contraste com a “inutilidade de Belém”, onde muitos acreditam que as discussões ficarão distantes das realidades locais.
A “Cúpula dos Povos” busca pressionar por justiça climática, abordando temas como reforma agrária e proteção territorial. Organizada por mais de mil entidades, a cúpula pretende expor as contradições entre as promessas oficiais e as demandas populares, refletindo a urgência das questões climáticas enfrentadas por comunidades afetadas.
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