Votantes na parte turca ocupada de Chipre estão participando de uma eleição presidencial considerada crucial para o futuro das negociações de paz na ilha. O pleito ocorre em um contexto de divisão que se estende desde a intervenção turca em 1974, com as negociações de reunificação suspensas desde 2017, em Crans-Montana. A população de 218 mil turco-chipriotas enfrenta uma escolha entre o atual presidente, Ersin Tatar, que defende uma solução de dois Estados, e Tufan Erhürman, do Partido Republicano Turco (CTP), que apoia o retorno às negociações mediadas pela ONU.
A votação, que pode resultar em um segundo turno, é acompanhada de perto pela comunidade internacional. Tatar, 65 anos, tem o apoio explícito de Ancara e argumenta que uma solução federal seria um plano para eliminar a República Turca de Chipre do mapa, enquanto Erhürman, 55 anos, um acadêmico carismático, busca unir as comunidades grega e turca cipriota em uma federação bi-zonal e bi-comunal. As pesquisas indicam uma disputa acirrada entre os dois candidatos.
Resultados e Implicações
Os resultados da eleição, que serão divulgados após as 20h locais, são esperados com grande expectativa. Sami Özüslu, um deputado do CTP, enfatizou a importância deste momento, afirmando que não há mais tempo a perder. Desde a divisão da ilha, cerca de 45 mil soldados turcos permanecem na região, e a interação entre as comunidades, embora limitada, ocorre frequentemente, com muitos turco-chipriotas cruzando para o sul em busca de melhores condições econômicas.
Chipre se tornou membro da União Europeia em 2004, mas os benefícios da adesão têm se restringido ao sul, uma vez que a falta de um acordo de paz continua a isolar o norte. A eleição atual pode ser um divisor de águas na busca por uma solução duradoura para o conflito que perdura há décadas.
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