Em um contexto de crescente desconfiança nas instituições democráticas da América Latina, o analista Michael Shifter, durante o evento World In Progress, destacou que os Estados Unidos não são mais um parceiro confiável. O debate, realizado em 20 de outubro de 2025, abordou a fragilidade democrática em países como Venezuela, Bolívia, Argentina e El Salvador.
Shifter, ex-presidente do Diálogo Interamericano, mencionou que as recentes eleições na Bolívia marcam um novo ciclo político após duas décadas de governos de esquerda. Ele ressaltou a importância da mudança desejada pelos eleitores bolivianos. O especialista também criticou a estratégia dos EUA em relação à Venezuela, afirmando que, se a preocupação fosse genuína com o narcotráfico, as ações seriam diferentes.
Tensão EUA-Venezuela
As operações militares americanas contra embarcações venezuelanas foram um ponto central da discussão. Seis ações resultaram em aproximadamente 29 mortos, evidenciando a escalada das hostilidades entre Washington e Caracas. Shifter alertou que a principal ameaça à região é o crescimento do crime organizado, que se expande de forma alarmante.
A conversa também abordou lideranças polêmicas, como Javier Milei na Argentina e Nayib Bukele em El Salvador. Shifter comentou sobre a popularidade de Bukele, caracterizando-o como um “mestre do marketing”, embora advertisse que seu modelo não é facilmente replicável em outros contextos. A derrota de Milei na província de Buenos Aires trouxe desafios à sua liderança.
Oportunidades de Cooperação
Apesar das tensões, Shifter expressou otimismo quanto ao futuro da integração regional. Ele acredita que a reação ao governo Trump pode, paradoxalmente, impulsionar a América Latina em direção a uma maior cooperação. A análise aponta que a região possui os recursos necessários para desenvolver um sistema próprio de colaboração, o que pode ser crucial em tempos de incerteza política.
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