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Brasil e Paraguai travam disputa diplomática sobre Canhão El Cristiano

Brasil e Paraguai avançam negociação sobre devolução do canhão El Cristiano; solução em memorial de reconciliação depende de destombamento e aprovação do Congresso

Vista frontal do canhão El Cristiano, troféu da Guerra do Paraguai, em exposição no pátio do Museu Histórico Nacional no Rio de Janeiro. (Foto: Rodrigo Padula/Wikimedia Commons)
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Uma disputa diplomática entre Brasil e Paraguai está em andamento em relação ao canhão El Cristiano, um troféu da Guerra do Paraguai (1864-1870). O artefato, fundido com bronze de sinos de igrejas paraguaias, foi trazido ao Brasil após a guerra e atualmente está exposto no Museu Histórico Nacional, no Rio de Janeiro. O governo paraguaio busca a devolução do canhão como parte de uma reparação histórica.

Recentemente, diplomatas e representantes legislativos de ambos os países se reuniram para discutir soluções. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva prioriza o caso, que envolve propostas como o destombamento do canhão, a restituição por meio de um memorial da reconciliação ou a troca de artefatos. Essas opções devem ser aprovadas pelo Congresso.

Contexto Histórico

O canhão El Cristiano foi utilizado na Batalha de Curupaiti em 1866, simbolizando a resistência paraguaia. Para os paraguaios, sua devolução representa um gesto importante de reparação. Edgar Martínez, diretor da Universidad de Misiones, enfatizou a importância de resolver essa questão, afirmando que o Brasil não reconhece os danos causados durante a guerra.

Na semana passada, uma reunião no Itamaraty, mediada pelo deputado Ronaldo Nogueira, discutiu os próximos passos. A embaixadora Gisela Padovan reconheceu que a guerra é uma “mancha na história” e destacou o interesse do Brasil em reaver itens do conflito, como canhoneiras paraguaias.

Desdobramentos e Desafios

O Paraguai tenta há 15 anos a repatriação do canhão. Tentativas anteriores, como a declaração do Senado paraguaio em 2015, não resultaram em avanços significativos. Em 2023, o presidente paraguaio Santiago Peña reiterou a reivindicação, mas sem sucesso.

O tombamento do canhão pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) em 1998 é um entrave crucial. O destombamento, que só pode ser feito pelo presidente, é o primeiro passo necessário antes de qualquer doação. A proposta de um memorial da reconciliação visa equilibrar a preservação da memória militar brasileira com a reparação histórica para o Paraguai.

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