Relatos sobre a Marcha Verde, ocorrida em 1975, marcam o 50º aniversário do evento que forçou a retirada da Espanha do Sáhara Ocidental. A mobilização, liderada pelo rei marroquino Hasán II, envolveu mais de 350.000 cidadãos marroquinos que cruzaram a fronteira em direção ao território disputado. Veteranos relembram a tensão e a incerteza daquele período, como o ex-soldado espanhol Juan José Escribá, que estava prestando serviço militar na época.
Em uma recente reunião em Tarfaya, Escribá encontrou o enfermeiro Mohamed Zuita, que participou da marcha. Zuita recordou que, apesar da situação, “não tínhamos medo” ao atravessar a fronteira, onde os militares espanhóis já haviam se retirado. A memória coletiva é forte e ainda influencia as relações entre Espanha e Marrocos. Zuita, que viveu no Sáhara e formou uma família após o evento, expressou seu vínculo com a região, afirmando: “Me considero tão saharaui quanto marroquino”.
Memórias e Impactos
Os veteranos compartilham suas experiências em encontros que reavivam a história. Escribá, que participou da Operação Golondrina em 1976, que evacuou mais de 60.000 civis e militares, enfatiza a importância da memória histórica. Ele já visitou o Sáhara mais de 20 vezes desde a marcha e possui uma vasta biblioteca sobre o assunto.
Os relatos de ambos os veteranos destacam a complexidade das relações contemporâneas entre os dois países. As memórias da marcha e da retirada ainda ecoam nas discussões sobre o status do Sáhara Ocidental, refletindo um passado que continua a moldar o presente. A celebração do 50º aniversário é, portanto, um momento de reflexão sobre os desafios e as esperanças para o futuro da região.
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