As operações de fraude no Sudeste Asiático, que utilizam a tecnologia de internet via satélite Starlink, estão sob investigação do Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ). Em uma ação recente, foram emitidos mandados de apreensão para nove terminais Starlink e duas contas associadas a golpes em Payathonzu, Myanmar. A medida visa desmantelar redes criminosas que têm gerado bilhões de dólares em fraudes, especialmente em esquemas de criptomoedas.
Os mandados foram autorizados por juízes federais e detalham como os dispositivos Starlink estão sendo utilizados por cibercriminosos para operar em locais conhecidos como “compostos de fraude”. Um dos mandados menciona que 26 terminais Starlink foram identificados em edifícios de um centro de fraudes na região de Three Pagodas Pass, enquanto outro documento aponta 79 terminais em Tai Chang, um local amplamente vinculado a atividades criminosas.
Medidas do DOJ
Essas ações fazem parte da nova iniciativa do DOJ, chamada District of Columbia Scam Center Strike Force, que busca combater fraudes relacionadas a criptomoedas que afetam cidadãos americanos. A força-tarefa já confiscou cerca de 400 milhões de dólares em criptomoedas provenientes de golpes. A procuradora do Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, destacou a importância de não permitir que organizações criminosas, muitas vezes ligadas à China, continuem a vitimizar cidadãos dos EUA.
A investigação revela que os criminosos têm utilizado tecnologias avançadas, como inteligência artificial e deepfakes, para enganar as vítimas. Entre 2017 e 2024, 22 pessoas relataram perdas de aproximadamente 6,7 milhões de dólares em um esquema de investimento fraudulento. Os golpistas se comunicavam com as vítimas através de mensagens inesperadas e, em seguida, transferiam as conversas para plataformas como WhatsApp.
Reação da SpaceX
A SpaceX, responsável pela operação do Starlink, não comentou imediatamente sobre os mandados, mas já havia informado que desativou mais de 2.500 dispositivos associados a atividades fraudulentas em Myanmar. O uso do Starlink na região diminuiu desde então, embora muitos compostos ainda permaneçam ativos. Especialistas alertam que, apesar das ações das autoridades, a resiliência desses centros de fraude representa um desafio contínuo para a segurança cibernética global.
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