A resolução 2803 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada na terça-feira, visa transformar o frágil cessar-fogo em Gaza em um plano de paz duradouro. Com 13 votos a favor e abstenções da Rússia e da China, o texto estabelece um “Conselho de Paz” liderado por Donald Trump e uma Força de Estabilização Internacional (ISF), cuja composição ainda não foi definida.
O plano inclui a supervisão de tropas multinacionais e a criação de uma comissão de tecnocratas palestinianos. A ISF terá a tarefa de desmilitarizar Gaza, o que implica na retirada de armas do Hamas, que já declarou que não irá desarmar. O papel de Trump na supervisão do processo é central, com o ex-presidente afirmando que o conselho incluirá líderes respeitados de todo o mundo.
Desdobramentos e Expectativas
O texto da resolução menciona de forma condicional a autodeterminação palestina, mas não estabelece um caminho claro para a criação de um Estado palestino. O documento sugere que, se a Autoridade Palestina se reformar e houver progresso na reconstrução de Gaza, “condições podem ser criadas para um caminho credível à autodeterminação e estado palestino”.
A aprovação da resolução é vista como um reflexo da exaustão global em relação à situação em Gaza, que sofreu com bombardamentos israelenses nos últimos dois anos, resultando em mais de 70 mil mortos e 70% dos edifícios destruídos. O enviado dos EUA, Mike Waltz, descreveu a resolução como um “novo curso no Oriente Médio”, embora outros membros do conselho tenham expressado cautela quanto à sua viabilidade.
Reações e Implicações
A reação do governo israelense foi de descontentamento, especialmente entre os membros mais radicais da coalizão de Benjamin Netanyahu, que se opõem a qualquer sugestão de soberania palestina. No entanto, países árabes e islâmicos veem a resolução como uma oportunidade para aumentar a assistência humanitária em Gaza e manter a pressão sobre Israel, na esperança de que um maior envolvimento internacional possa facilitar um futuro acordo de paz.
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