O grupo paramilitar Sudaneses Forças de Apoio Rápido (RSF) tomou El Fasher, no Darfur Norte, no fim de outubro, ampliando a divisão do país em dois blocos e acentuando o conflito civil. Obras e relatórios indicam execuções, violência sexual e sequestros, com consequências humanitárias graves e condenação internacional.
A operação ocorreu em meio a uma guerra que já deixou dezenas de milhares de mortos. A RSF, aliada a forças locais, enfrentou o exército sudanês e seus parceiros, consolidando controle sobre grande parte das cidades do Darfur, exceto El Fasher, até o verão de 2023. A comunidade internacional acompanha os desdobramentos com preocupação.
Rede de suprimentos
Um relatório de especialistas da ONU descreve uma rede de abastecimento aérea e terrestre apoiada por Emiratos Árabes Unidos. Voos ligam Kufra, na Líbia, a Bosaso, na Somália, com escalas em países aliados e rotas menores por Chad, República Centro-Africana e Sudão do Sul. Mercenários colombianos teriam sido enviados a Darfur para apoiar as RSF, segundo relatos de governos e veículos de mídia.
Segundo o painel da ONU, a logística passou a depender de Kufra, controlada pelo Exército Nacional Libio, com uso de bases em Bengasi e Bosaso para transporte terrestre via redes ligadas à família Jaftar. O retorno das rotas coincidiu com o aumento da atividade de minas de ouro na região, com exportação para Dubái sob controle de redes associadas às RSF.
Contexto financeiro e político
Entre as dinâmicas envolvidas, destaca-se a relação entre a família Dagalo, que comanda as RSF, e a Casa dos Nahyan, em Abu Dabi. Aparentes laços influenciam a disposição de recursos para a infraestrutura militar, logística e comércio, incluindo o ouro extraído no país e enviado a Dubai, por meio de rotas de contrabando. Autoridades Emiratenses afirmam não ter prestado apoio a partes beligerantes, ressaltando esforços para alcançar um cessar-fogo.
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