A polícia da França usou gás lacrimogêneo contra manifestantes neste sábado (24), em um novo dia de protestos contra o custo de vida. O governo reforçou a segurança nas principais cidades para evitar a repetição dos saques e confrontos do fim de semana anterior.
Em Lyon, no sudeste do país, a polícia dispersou cerca de 150 manifestantes que tentavam bloquear uma rua perto do centro, onde os protestos estavam proibidos.
“A polícia é muito móvel… Eles chegam e dispersam as marchas antes mesmo que elas se formem”, disse à AFP um estudante de 21 anos.
Segurança reforçada
Segundo o Ministério do Interior, 70 mil agentes de segurança foram mobilizados em todo o país por causa da ameaça “alta” de violência. Em Marselha, veículos blindados e um canhão de água ficaram estacionados no centro da cidade.
Em Paris, muitas lojas cobriram as vitrines com tábuas, e algumas das maiores avisaram aos clientes que não abririam. O Louvre e o Museu d’Orsay fecharam.
Ao meio-dia, a polícia da capital informou que a situação estava “calma” e que havia apreendido “diversos itens proibidos”. A polícia também transferiu uma marcha dos sindicatos da Bastilha, no centro-leste da cidade, para a Porte d’Italie, na periferia sul.
No último fim de semana, cerca de 2.700 pessoas foram presas durante os protestos, e os tribunais já mandaram 217 delas para a prisão, metade sem antecedentes criminais. Segundo o setor varejista, os prejuízos com os saques chegam a centenas de milhões de euros.
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Protesto contra Le Pen
Ao mesmo tempo, o partido de extrema direita Reunião Nacional, de Marine Le Pen, realizou um congresso em Orléans para lançar a campanha para a eleição presidencial, daqui a seis meses.
Em resposta, milhares de pessoas marcharam na cidade contra Le Pen e o presidente Emmanuel Macron, com gritos como “Macron renuncie. Le Pen na prisão!”.
A polícia estimou o público em 11 mil pessoas, e os organizadores, em 26 mil. Segundo as pesquisas, Le Pen é a favorita na eleição. Macron atribui a pior parte da violência a grupos de extrema esquerda que, segundo ele, “querem derrubar a república”.
Já os organizadores dos protestos acusam o governo de ignorar a insatisfação com a alta dos preços e com a situação das escolas. A inflação aumentou na França desde o início da guerra dos EUA e de Israel contra o Irã, em fevereiro.
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Críticas às restrições
O presidente afirmou que só vai aceitar manifestações organizadas por sindicatos e que vai reprimir as que considerar “ilegítimas”. Algumas cidades proibiram totalmente os protestos.
As restrições geraram críticas. A Anistia Internacional falou em “um declínio em direção a práticas autoritárias”. Os Coletes Amarelos, movimento que organizou protestos contra Macron em 2018, denunciaram uma “deriva autoritária” e convocaram novos atos para 31 de outubro.
Os protestos também ocorrem em outros países europeus, como Itália, Bélgica, Espanha e Portugal. Na Itália, o governo enviou 500 soldados a Milão depois dos confrontos nas ruas.
(Com informações da AFP)
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