Malawi viu reduzir drasticamente o apoio americano a programas de HIV, com corte de parte do financiamento do PEPFAR e encerramento de serviços para comunidades vulneráveis. A ação faz parte da nova estratégia americana apresentada em setembro, a America First Global Health Strategy.
O Centro para o Desenvolvimento das Pessoas (CEDEP) estava entre as organizações afetadas, com fechamento de dois observatórios clínicos. Em Malawi, equipes de alcance deixaram de levar medicamentos de prevenção para comunidades marginalizadas, incluindo homens que fazem sexo com homens e pessoas trans.
O impacto local se tornou claro em Blantyre, onde pacientes dependiam de atividades de CEDEP para acesso a prevenção. Um paciente retrata a dificuldade de continuidade de tratamento após a suspensão de serviços de campo, agravando a vulnerabilidade de quem depende dessas redes.
A Administração Trump afirma manter metas 95-95-95, mas sinaliza que muitos componentes do PEPFAR não serão restabelecidos. O governo de Malawi informou que destinou recursos para reequilibrar serviços de HIV, sem conseguir preencher toda a lacuna causada pelos cortes.
Especialistas ressaltam que a transição para maior responsabilidade nacional exige prazos realistas. Países como Malawi enfrentam incertezas sobre a viabilidade de sustentar os ganhos até 2030 sem o apoio contínuo de parceiros internacionais.
Autoridades locais destacam a necessidade de manter serviços comunitários, rastreamento de aderência e apoio social. Recursos do governo malawiano foram realocados, mas a dívida pública limita novas liberações para o HIV.
O governo de Malawi continua firme na defesa de manter avanços em HIV, buscando alternativas de financiamento. O objetivo é evitar retrocessos de longo prazo e manter, na medida do possível, a trajetória rumo à meta de acabar com a AIDS até 2030.
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