Vladimir Putin desembarcou na Índia nesta quinta-feira (4) para uma visita de dois dias, com objetivo de fortalecer a parceria entre os dois países. A 23ª cúpula anual Índia-Rússia, promovida pelo primeiro-ministro Narendra Modi, ocorreu em Nova Délhi, em meio a discussões sobre pagamentos para contornar sanções e ampliar intercâmbio de mão de obra. A visita marca a primeira desde o início da guerra na Ucrânia, em 2022.
O governo indiano enfatiza a continuidade da Parceria Especial e Privilegiada, adotada em 2010, para tratar de defesa, energia e cooperação regional. Segundo o porta-voz Dmitry Peskov, há sinais de continuidade no comércio bilateral e na defesa, com menção a acordos sobre sistemas de defesa antiaérea S-400, caças Sukhoi-57 e reatores nucleares modulares.
A agenda inclui discussões sobre alternativas de pagamento para reduzir a vulnerabilidade às sanções, além de ampliar o intercâmbio de trabalhadores entre os dois países. A Índia continua sendo um grande comprador de armas russas e depende de partes do petróleo russo para abastecer parte de seu mercado, mesmo diante de pressões ocidentais.
Especialistas ouvidos pela imprensa destacam que o relacionamento permanece estável diante de tensões com o Ocidente. Analistas ressaltam que as relações entre Moscou e Nova Délhi ganharam robustez ao longo de décadas, com foco em defesa, energia, espaço e cooperação estratégica.
A negociação também envolve temas regionais e globais de interesse comum, com a expectativa de que a cúpula reforçe a cooperação na geopolítica eurasiática. Observadores apontam que a Índia busca equilibrar suas relações com Estados Unidos e Rússia, mantendo autonomia estratégica.
Segundo analistas, a visita de Putin envia mensagem de que a Rússia não está isolada e que a Índia mantém espaço para conduzir política externa independente. A agenda de curto prazo sugere continuidade de acordos existentes e busca por novos mecanismos de cooperação, sem sinalizações de mudança abrupta na aliança.
Entre na conversa da comunidade