O relatório Kenova, apresentado recentemente, afirma que as forças de segurança protegem um agente infiltrado no IRA e que muitos assassinatos poderiam ter sido evitados. A análise sustenta a necessidade de tornar pública a identidade de Stakeknife e traz novas evidências sobre a operação.
Ao longo de nove anos, meio século de atuação foi revisado por um grupo de cerca de 50 ex-oficiais e agentes, sob encomenda do Serviço de Polícia da Irlanda do Norte. O foco é a atividade do topo da espionagem britânica dentro do IRA, liderada por Freddie Scappaticci, conhecido como Stakeknife.
O documento, assinado pelo ex-chefe da Polícia da Escócia, Iain Livingstone, aponta que a proteção institucional ao agente dobrou como obstáculo à responsabilização. Segundo o relatório, o MI5 o afastou de Irlanda em pelo menos duas ocasiões para evitar investigações.
Implicações e novos desdobramentos
Revelam-se descrições de uma linha telefônica exclusiva e uma unidade dedicada, criada para gerenciar as ações do topo infiltrado. A investigação também ampliou o foco para a chamada banda de Glenanne, atribuindo pelo menos 120 mortes a esse grupo paramilitar.
Embora a identidade de Stakeknife tenha sido ligada a Freddie Scappaticci por veículos britânicos em 2003, o relatório não cita o nome. Scappaticci faleceu em 2023, aos 77 anos, o que reduz o potencial de ações penais futuras.
As conclusões destacam que muitos atentados poderiam ter sido evitados se informações relevantes tivessem sido compartilhadas de forma adequada. O comissário Jon Boutcher, chefe do PSNI, afirma que a proteção ao agente teve prioridade sobre a justiça para as vítimas.
Repercussões institucionais
Boutcher e Livingstone defendem mudanças legais para tornar pública a identidade de Stakeknife pelo Governo britânico. O relatório também relata que o MI5 revisou arquivos após publicados os primeiros resultados, constatando ocultação de dados sobre ameaças e crimes atribuídos ao agente.
O diretor-geral do MI5, Ken McCallum, expressou pesar às vítimas e pediu desculpas pela demora na divulgação de documentos relevantes. A instituição ressalta que a revisão continua para esclarecer a extensão da participação e evitar falhas futuras.
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