França pediu que a União Europeia adie os prazos de dezembro para a assinatura do acordo comercial com o Mercosul. O governo francês reivindica que as condições não estão dadas para uma votação entre os Estados-membros, segundo comunicado do gabinete do primeiro-ministro.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, pretende assinar o acordo no próximo sábado, durante a cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu. Ainda, depende do aval dos países da UE entre terça e sexta-feira, conforme relatório divulgado pela Comissão.
A França lidera o grupo de países europeus reticentes a firmar o tratado, que envolve duas décadas de negociação. Em setembro, a UE já instaurou mecanismo de monitoramento reforçado para produtos sensíveis como carne, arroz, etanol e produtos agrícolas.
Medidas de proteção e condições para a aprovação
O ministro da Economia francês, Roland Lescure, destacou três condições consideradas indispensáveis. Primeiro, a França exige uma cláusula de proteção forte e eficaz para a agricultura europeia. Segundo, normas da UE devem valer também para a produção nos países parceiros. Terceiro, há necessidade de controles na importação.
Desdobramentos esperados
O acordo visa facilitar exportações de automóveis, máquinas e vinhos europeus ao Mercosul, em troca de facilitar a entrada de carne, soja, arroz e açúcar sul-americanos. Agricultores franceses temem competição desleal com produtos do Mercosul. Se assinado, o bloco Euro-Mercosul reuniria 722 milhões de habitantes.
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