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Paris terá terceira noite de toque de recolher e manifestações são proibidas

Restrições atingem a Praça da República e Les Halles; quatro estações do metrô e trem serão fechadas a partir das 22h

Jovens se reúnem em uma loja Wine Nicolas enquanto confrontos ocorrem à margem de uma manifestação contra o alto custo de vida em Paris, França, em 17 de outubro de 2026. A mobilização nacional reúne diversos grupos, incluindo antigos participantes dos Coletes Amarelos, alunos do ensino médio e universitários, ativistas climáticos e agricultores. Após semanas de protestos estudantis, a França enfrenta manifestações nacionais mais amplas sobre o custo de vida, configurando seis meses potencialmente conturbados até a eleição presidencial. Uma fonte policial disse à AFP que as autoridades estimavam que quase 200.000 pessoas poderiam participar, sendo 40.000 em Paris.
Comércios sofrem consequências das manifestações (Créditos:Foto por JEROME GILLES / NURPHOTO / NURPHOTO VIA AFP)

Algumas regiões de Paris voltarão a ter toque de recolher durante a madrugada, conforme decisão tomada pelas autoridades francesas nesta quarta-feira (21). A medida será aplicada pela terceira noite consecutiva e busca impedir novos episódios de violência e saques, como os registrados no país durante o último fim de semana.

A medida, que entrará em vigor das 23h00 (18h00 de Brasília) até as 06h00 (01h00 de Brasília) de quinta-feira (22), afeta dois setores da capital francesa: a área central da Praça da República e um perímetro delimitado da região comercial de Les Halles.

Duas pessoas morreram nas proximidades das regiões: Um homem de 59 anos morreu no sábado (17), perto da Praça da República, enquanto outro, de 48 anos, morreu na madrugada de segunda-feira (19), em Les Halles. Ambos teriam sofrido mal súbito, mas a Promotoria de Paris abriu investigações para esclarecer as circunstâncias das mortes.

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A Praça da República e seus arredores foram um dos epicentros dos confrontos de sábado com as forças de segurança. As autoridades atribuem os distúrbios principalmente a “grupos de extrema esquerda”.

A polícia de Paris também proibiu manifestações e concentrações não declaradas das 20h (15h de Brasília) de quarta-feira até as 6h (1h de Brasília) de quinta-feira, em áreas estratégicas da capital francesa, como a avenida Champs-Élysées e os arredores de estações ferroviárias.

Uma nova determinação estabeleceu restrições das 8h às 20h de quinta-feira em diferentes pontos da cidade, incluindo o Museu do Louvre e as sedes da Presidência e do Parlamento francês.

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O toque de recolher prevê exceções para moradores das regiões afetadas, profissionais que precisam acessar esses locais para trabalhar e integrantes dos serviços de emergência e resgate, segundo a Prefeitura de Polícia de Paris.

As restrições também afetam o transporte público, como é o caso do metrô , do qual a empresa responsável pelo meio de condução de Paris (RATP) anunciou o fechamento das estações République, Châtelet, Les Halles e Châtelet-Les Halles a partir das 22h00 desta quarta-feira, uma hora antes do início do toque de recolher. Os trens passarão pelas estações sem realizar paradas, e as conexões ficarão suspensas.

O toque de recolher foi implementado inicialmente na segunda-feira, renovado na terça-feira (20) e novamente nesta quarta-feira, mantendo as mesmas áreas de abrangência e o horário das 23h às 6h.

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Os distúrbios ocorreram à margem de manifestações multitudinárias na França contra o aumento do custo de vida e em apoio aos estudantes do ensino médio, que reivindicam melhores condições de estudo.

A França se prepara para uma nova onda de manifestações no próximo sábado (24). Sob pressão, o primeiro-ministro de centro-direita, Sébastien Lecornu, anunciou um desdobramento policial “massivo” para evitar novos tumultos.

O reforço de segurança também contará com militares da operação Sentinelle, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Os soldados serão responsáveis principalmente pela proteção de pontos fixos, liberando policiais e integrantes da gendarmaria para atuar no controle de multidões.

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Protestos na França

A mobilização está na quinta semana com bloqueios de centenas de escolas por alunos do ensino médio, que exigem mais professores, salas menos lotadas e reformas nos prédios.

No dia 13, a ativista sueca Greta Thunberg participou de um ato em Saint-Denis, ao norte de Paris, no mesmo dia em que cerca de 200 escolas fecharam, segundo o ministro da Educação, Edouard Geffray.

Os protestos deixaram um saldo de aproximadamente 2.500 pessoas colocadas sob custódia policial, das quais 174 foram encarceradas, segundo dados apresentados nesta quarta-feira pelo ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin.

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O Ministério do Interior também contabilizou 997 policiais e gendarmes feridos durante os confrontos de sábado (17), sendo sete em estado grave. Somente em Paris, as autoridades registraram 1.206 detenções e 314 agentes de segurança feridos entre sábado e domingo (18), além de 111 manifestantes e moradores feridos no primeiro dia.

Comércio registra prejuízos

Quase 3 mil lojas foram atingidas pelos episódios de violência na França, segundo a Federação do Comércio e do Varejo. A entidade pediu isenção de impostos e contribuições previdenciárias para os estabelecimentos prejudicados. Sébastien Lecornu também anunciou medidas de apoio, incluindo mecanismos de suspensão temporária de contratos de trabalho a partir de terça-feira.

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Para impedir a comercialização de produtos roubados, plataformas como Vinted, Amazon, eBay, Leboncoin, Meta e TikTok se comprometeram a identificar anúncios suspeitos e compartilhar informações com as autoridades francesas. O acordo, anunciado pelo governo na terça-feira, prevê maior fiscalização de produtos vendidos por preços muito abaixo do mercado, alertas aos consumidores sobre o crime de receptação e relatórios periódicos das ações adotadas.

(Com informações da AFP)

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