Algumas regiões de Paris voltarão a ter toque de recolher durante a madrugada, conforme decisão tomada pelas autoridades francesas nesta quarta-feira (21). A medida será aplicada pela terceira noite consecutiva e busca impedir novos episódios de violência e saques, como os registrados no país durante o último fim de semana.
A medida, que entrará em vigor das 23h00 (18h00 de Brasília) até as 06h00 (01h00 de Brasília) de quinta-feira (22), afeta dois setores da capital francesa: a área central da Praça da República e um perímetro delimitado da região comercial de Les Halles.
Duas pessoas morreram nas proximidades das regiões: Um homem de 59 anos morreu no sábado (17), perto da Praça da República, enquanto outro, de 48 anos, morreu na madrugada de segunda-feira (19), em Les Halles. Ambos teriam sofrido mal súbito, mas a Promotoria de Paris abriu investigações para esclarecer as circunstâncias das mortes.
+França investiga duas mortes em protestos; toque de recolher em Paris continua
A Praça da República e seus arredores foram um dos epicentros dos confrontos de sábado com as forças de segurança. As autoridades atribuem os distúrbios principalmente a “grupos de extrema esquerda”.
A polícia de Paris também proibiu manifestações e concentrações não declaradas das 20h (15h de Brasília) de quarta-feira até as 6h (1h de Brasília) de quinta-feira, em áreas estratégicas da capital francesa, como a avenida Champs-Élysées e os arredores de estações ferroviárias.
Uma nova determinação estabeleceu restrições das 8h às 20h de quinta-feira em diferentes pontos da cidade, incluindo o Museu do Louvre e as sedes da Presidência e do Parlamento francês.
+França vai usar militares para reforçar polícia em novos protestos
O toque de recolher prevê exceções para moradores das regiões afetadas, profissionais que precisam acessar esses locais para trabalhar e integrantes dos serviços de emergência e resgate, segundo a Prefeitura de Polícia de Paris.
As restrições também afetam o transporte público, como é o caso do metrô , do qual a empresa responsável pelo meio de condução de Paris (RATP) anunciou o fechamento das estações République, Châtelet, Les Halles e Châtelet-Les Halles a partir das 22h00 desta quarta-feira, uma hora antes do início do toque de recolher. Os trens passarão pelas estações sem realizar paradas, e as conexões ficarão suspensas.
O toque de recolher foi implementado inicialmente na segunda-feira, renovado na terça-feira (20) e novamente nesta quarta-feira, mantendo as mesmas áreas de abrangência e o horário das 23h às 6h.
+Macron condena violência em protestos na França; quase 2.400 são presos
Os distúrbios ocorreram à margem de manifestações multitudinárias na França contra o aumento do custo de vida e em apoio aos estudantes do ensino médio, que reivindicam melhores condições de estudo.
A França se prepara para uma nova onda de manifestações no próximo sábado (24). Sob pressão, o primeiro-ministro de centro-direita, Sébastien Lecornu, anunciou um desdobramento policial “massivo” para evitar novos tumultos.
O reforço de segurança também contará com militares da operação Sentinelle, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez. Os soldados serão responsáveis principalmente pela proteção de pontos fixos, liberando policiais e integrantes da gendarmaria para atuar no controle de multidões.
+Mais de 1,8 mil são presos após protestos violentos na França
Protestos na França
A mobilização está na quinta semana com bloqueios de centenas de escolas por alunos do ensino médio, que exigem mais professores, salas menos lotadas e reformas nos prédios.
No dia 13, a ativista sueca Greta Thunberg participou de um ato em Saint-Denis, ao norte de Paris, no mesmo dia em que cerca de 200 escolas fecharam, segundo o ministro da Educação, Edouard Geffray.
Os protestos deixaram um saldo de aproximadamente 2.500 pessoas colocadas sob custódia policial, das quais 174 foram encarceradas, segundo dados apresentados nesta quarta-feira pelo ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin.
+Protestos contra custo de vida mobilizam milhares na França e têm confrontos
O Ministério do Interior também contabilizou 997 policiais e gendarmes feridos durante os confrontos de sábado (17), sendo sete em estado grave. Somente em Paris, as autoridades registraram 1.206 detenções e 314 agentes de segurança feridos entre sábado e domingo (18), além de 111 manifestantes e moradores feridos no primeiro dia.
Comércio registra prejuízos
Quase 3 mil lojas foram atingidas pelos episódios de violência na França, segundo a Federação do Comércio e do Varejo. A entidade pediu isenção de impostos e contribuições previdenciárias para os estabelecimentos prejudicados. Sébastien Lecornu também anunciou medidas de apoio, incluindo mecanismos de suspensão temporária de contratos de trabalho a partir de terça-feira.
+Governo promete novos professores, mas protestos continuam na França
Para impedir a comercialização de produtos roubados, plataformas como Vinted, Amazon, eBay, Leboncoin, Meta e TikTok se comprometeram a identificar anúncios suspeitos e compartilhar informações com as autoridades francesas. O acordo, anunciado pelo governo na terça-feira, prevê maior fiscalização de produtos vendidos por preços muito abaixo do mercado, alertas aos consumidores sobre o crime de receptação e relatórios periódicos das ações adotadas.
(Com informações da AFP)
Entre na conversa da comunidade