A cidade de Buenos Aires sediará, nesta terça-feira, a primeira reunião internacional de ex-membros do Opus Dei que alegam ter sido traficadas e submetidas à servidão doméstica ainda na infância. O encontro reúne denunciantes, organizações de direitos humanos e advogados que atuam no caso.
As 43 mulheres argentinas afirmam terem sido atraídas para escolas do Opus Dei na infância ou adolescência com promessas de educação, mas teriam sido obrigadas a trabalhar até 12 horas diárias, sem remuneração. Elas relatam controle rígido, censura de cartas, restrição de visitas familiares e proibição de leitura que não fosse religiosa ou infantil.
Procuradores federais na Argentina investigam o grupo, acusando líderes seniores do Opus Dei na América do Sul de coordenar exploração e tráfico de meninas, adolescentes e mulheres entre 1972 e 2015. A apuração está centrada em alegações contra o patrocínio e a organização.
Sebastián Sal, representante legal das 43 mulheres, afirma que o caso ganhou tréguas no último período devido ao atraso de dois testemunhos ligados ao Opus Dei. Os depoimentos devem ocorrer durante a conferência, que é organizada pela rede Ending Clergy Abuse.
O Vaticano ainda não respondeu formalmente, mas há indícios de participação do Papa na decisão de revisar estatutos do Opus Dei. Fontes relatam que o Pontífice incentivou a reunião e pode emitir uma declaração após o evento. O processo envolve revisão de normas junto ao Vaticano.
Paula Bistagnino, jornalista argentina, destaca que a conferência ocorre em meio ao avanço das revisões estatutárias do Opus Dei. Ela aponta a importância de ouvir as vítimas enquanto a Igreja avalia mudanças na estrutura da ordem. A organização global também acompanha o caso.
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