Brother Dong, voluntário sino-alemão, atua na Ucrânia levando apoio humanitário e bubble tea. Ele viaja mensalmente de Frankfurt a Berlim para buscar pérolas de tapioca, cruza a Polônia e chega a território ucraniano. A motivação é oferecer uma forma de apoio e alívio emocional.
Ele fundou as lojas Maomi em quatro cidades da Ucrânia desde novembro de 2022, financiando o empreendimento com crowdfunding de mais de 12 mil dólares. Os estabelecimentos vendem bebidas asiáticas, snacks e não são apenas negócios: representam uma forma de memória e presença de chineses e taiwaneses no conflito.
Cada ida à fronteira pode superar 5 mil quilômetros no trajeto, com equipamentos como cobertores e aquecedores portáteis. A logística é realizada por uma equipe de cerca de 10 voluntários, os “Gatos de Odesa”, que distribuem itens entre as cidades e ajudam nas quatro lojas.
Apoio e motivação
Os voluntários chineses na Ucrânia aparecem em meio a tensões internacionais, com Beijing mantendo posição de neutralidade oficial, mas intensificando laços comerciais com a Rússia. A presença de chineses no front econômico e social é vista como uma forma de oposição às narrativas autoritárias.
Em Lviv, Brother Dong presta homenagem a militares chineses e taiwaneses que morreram na guerra. Ele afirma que a iniciativa não é lucro, mas um objetivo de manter acesa a lembrança dos que contribuíram para a defesa da Ucrânia.
Contexto e repercussão
A atuação de Dong ocorre num contexto de desconfiança e de maior escrutínio a estrangeiros na Ucrânia, especialmente após casos envolvendo chineses suspeitos de espionagem. Voluntários destacam que, apesar dos riscos, há apoio crescente entre a diáspora para incentivar a ajuda humanitária.
Além de Dong, outros artistas e ativistas chineses, como Du Yinghong, também circulam pela Ucrânia para mostrar solidariedade. Du planeja abrir uma galeria de arte perto de Kyiv, buscando diálogo cultural como forma de resistência pacífica.
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